sigaEle

Parábolas de Jesus

O Reino de Deus

O que é o Reino de Deus?

O Reino de Deus não é apenas um lugar, mas o governo de Deus na vida das pessoas. Quando decidimos em nossos corações pertencer a esse Reino, passamos a fazer parte de um reino onde Jesus Cristo é o nosso Rei. Ele é quem governa. É um reino onde somos livres para servir a Jesus, livres da condenação do pecado e com a garantia da vida eterna.

01 - O Reino de Deus

O Reino de Deus

“Arrependam-se, pois o Reino de Deus está próximo.” Marcos 1:15

Estamos iniciando uma série de mensagens sobre as parábolas de Jesus, mas antes, precisamos falar sobre o Reino de Deus.

O que é o Reino de Deus?

O Reino de Deus não é apenas um lugar, mas o governo de Deus na vida das pessoas.

Quando decidimos em nossos corações pertencer a esse Reino, passamos a fazer parte de um reino onde Jesus Cristo é o nosso Rei. Ele é quem governa. É um reino onde somos livres para servir a Jesus, livres da condenação do pecado e com a garantia da vida eterna.

O Reino de Deus é o domínio de Deus sobre tudo e todos. Ele é presente: já chegou com Jesus (Lucas 17:21 – “o Reino de Deus está entre vocês”).

Mas também é futuro: será consumado na volta de Cristo (Apocalipse 11:15 – “O Reino do mundo se tornou de nosso Senhor”).

Quando oramos: “Venha o teu Reino” (Mateus 6:10), pedimos que a vontade de Deus seja feita na terra assim como no céu. E entendemos que fazemos parte desse Reino.

Os homens e mulheres de Deus compreendiam isso claramente:

“Todos estes ainda viveram pela fé e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-nas de longe e de longe as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra.” Hebreus 11:13

Eles reconheciam que eram estrangeiros, que não pertenciam a esta terra, a este reino, mas a outro. Mesmo sem terem a visão clara sobre Jesus, entendiam que faziam parte de uma pátria melhor e eterna. Por isso, entregaram a sua vida, sabendo que receberiam a vida eterna.

Essas pessoas se viam como parte do Reino. Não eram voluntários nele, mas súditos.

Um súdito é uma pessoa submissa à autoridade de um soberano, como um rei ou rainha. Diferente de um cidadão em uma república, que possui direitos plenos, o súdito vive sob um regime monárquico, onde o poder está concentrado na figura do monarca.

Eles reconheciam que deviam lealdade e obediência a esse Rei. E o nosso Rei é Jesus Cristo.

Vamos falar de três características do Reino de Deus.

Três características do Reino


1. Começa pequeno, mas é grandioso

“Embora seja a menor dentre todas as sementes, quando cresce torna-se a maior das hortaliças e se transforma numa árvore, de modo que as aves do céu vêm fazer os seus ninhos em seus ramos”. Mateus 13:32

“E contou-lhes ainda outra parábola: “O Reino dos céus é como o fermento que uma mulher tomou e misturou com uma grande quantidade de farinha, e toda a massa ficou fermentada”. Mateus 13:33

O Reino pode parecer insignificante, mas cresce de forma surpreendente e acolhedora. A parábola do grão de mostarda e a do fermento nos mostram exatamente isso.

Quando pensamos no Reino de Deus, para a humanidade ele pode parecer algo pequeno e sem importância. Muitas pessoas não levam em consideração a sua grandeza e, às vezes, até nós, crentes, não percebemos as proporções desse Reino.

Mas fazemos parte de um Reino grandioso. Se pararmos um pouco para refletir, veremos que ele começou com Jesus e doze discípulos. Homens comuns, mas que foram treinados e capacitados para serem verdadeiros súditos. Eles não foram chamados apenas para pertencer, mas também para trazer outros para dentro desse Reino. E foi exatamente isso que fizeram. Hoje, mais de dois mil anos depois, somos muitos espalhados pelo mundo inteiro. Veja como é interessante: o Reino começa pequeno, mas cresce de maneira grandiosa e permanece ao longo dos séculos.

Se fôssemos dar opiniões a Jesus sobre quem Ele escolheu, talvez disséssemos que aquelas pessoas não eram as ideais para a expansão de um Reino tão grandioso. Não eram capacitadas o suficiente, não tinham habilidades que o mundo consideraria adequadas para uma responsabilidade tão grande.

Podemos também lembrar da promessa feita a Abraão. Ele era apenas um homem, e Deus só precisou de um casal. Para complicar ainda mais, Sara era estéril. Mas, de Abraão, nasceu Israel, que permanece como nação até hoje.

“Farei de você um grande povo e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção. Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; por meio de você, todos os povos da terra serão abençoados.” Gênesis 12:2-3

Isso nos ensina que não se trata da nossa capacidade, nem do nosso dinheiro. Não se trata de nós. O Reino é Dele. Se Ele chamou, Ele mesmo vai ensinar, capacitar e expandir. A nossa responsabilidade é fazer a nossa parte, porque Deus vai usar todos os que estiverem disponíveis e todos os que amam e priorizam a Sua obra.

Você é como uma semente: precisa morrer para gerar frutos. A semente tem potencial para crescer e produzir muitos outros frutos, gerando muitas outras sementes. Mas, para que isso aconteça, é preciso morrer para o mundo e viver plenamente para Cristo.

“Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo não cair na terra e morrer, permanece só; mas se morrer, dá muito fruto.” João 12:24


2. Não é visível, mas é real

“Certa vez, tendo sido interrogado pelos fariseus sobre quando viria o Reino de Deus, Jesus respondeu: ‘O Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: “Aqui está ele”, ou “Lá está”; porque o Reino de Deus está entre vocês.’” Lucas 17:20-21

O Reino começa dentro de nós, transformando o coração. Também está entre nós; podemos dizer que vivemos parte desse Reino eterno, pois a eternidade começa quando nos convertemos e nunca mais termina. Por isso, não estamos esperando o fim dos tempos para experimentar o Reino: já estamos vivendo nele — não em sua plenitude, mas já participamos dele. Muitos crentes ainda não entenderam que o Reino começou, e por isso não vivem como cidadãos dele, apegando-se excessivamente às coisas desta terra.

O Reino não é visível, mas é real. Podemos percebê-lo através das ações do Espírito Santo em nossas vidas, na comunhão da igreja e em nossa própria transformação. Ele já chegou. Podemos sentir e participar dele, mas enquanto não compreendermos essa realidade, jamais desfrutaremos plenamente dos benefícios que ele oferece hoje.

Mateus 12:28 – “Se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus.”

Jesus provou que o Reino já chegou e mostrou que podemos libertar pessoas, tirando-as do império das trevas e trazendo-as para o Reino de Deus. Entretanto, a única forma de entrar nesse Reino e ganhar nova vida é através do novo nascimento. Só assim podemos enxergar o Reino atuando em nossas vidas.

“Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo.” João 3:3

“Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor, em quem temos a redenção, a saber, o perdão dos pecados.” Colossenses 1:13-14

Abra os olhos e veja com os olhos espirituais: o Reino está entre nós. Podemos viver de forma mais intensa quando compreendemos essa verdade. Nossa vida aqui é passageira, mas o Reino de Deus é eterno. Isso nos faz perceber que nossa existência não se limita ao que vivemos no dia a dia; há muito mais, e isso nos motiva a crescer para a glória de Deus e a pregar o evangelho, trazendo mais pessoas para o Seu Reino.

Que possamos ter essa percepção: somos cidadãos do Reino, invisível, mas real. Que possamos desfrutar dessa realidade todos os dias.

Além de tudo isso, o Reino de Deus se manifesta quando nos reunimos para cultuar ao Senhor. Nesse momento, podemos sentir a ação do Espírito Santo, a direção do Pai e a obra redentora do Filho — a Trindade se faz presente, confirmando que o Reino está entre nós.

Quando participamos da Ceia do Senhor, também experimentamos essa realidade: a presença de Cristo é sentida, lembramos de seu sacrifício e somos fortalecidos no nosso compromisso com o Reino. Cada ato de adoração, oração e comunhão é uma oportunidade de viver o Reino aqui e agora, percebendo seu poder transformador em nossas vidas.

O Reino de Deus não é apenas algo que veremos no futuro; ele se manifesta na nossa vida diária, em cada momento em que buscamos a presença de Deus, obedecemos à Sua Palavra e nos dedicamos à comunhão com outros irmãos e irmãs. Quanto mais conscientes estivermos dessa realidade, mais poderemos desfrutar de seus benefícios e participar ativamente da expansão do Reino.


3. É justiça, paz e alegria no Espírito Santo

“Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” Romanos 14:17

Não é comida nem bebida, mas vida transformada no Espírito. Onde o Reino entra, há mudança de valores, atitudes e prioridades.

Tem pelo menos três coisas que Paulo fala nesse versículo: justiça, paz e algria, isso no Espírito Santo. Não dá para se de outra forma a não ser pelo Espírito Santo.

É justiça porque nela se revela a justiça de Deus sobre todas as coisas. Esta justiça se manifestará e se cumprirá no tempo exato, pois Deus é justo. Sua decisão de dar a todos a oportunidade de arrependimento também é um ato de suprema justiça. Nele, não há sombra de injustiça.

A justiça de Deus se manifesta em Seus atos, que são sempre perfeitos: Ele é justo ao conceder graça e é justo ao perdoar o pecado daquele que se arrepende de verdade. Ele é justo ao distribuir dons para todos, conforme a capacidade de cada um. Sua justiça se revela até mesmo nas Suas exigências, sendo justo quando pede 10% nos dízimos e justo quando afirma que a oferta tem que ser de coração.

Salmo 11:7 “Porque o Senhor é justo e ama a justiça; o seu rosto está voltado para os retos.”

É paz, porque só Ele pode nos dar uma paz verdadeira, uma paz que o mundo não compreende. O mundo não entende porque, assim como qualquer ser humano, também enfrentamos dificuldades. Porém, quando passamos por essas provações, agimos de forma diferente: temos paz. Essa paz preenche todo vazio, nos livra dos sentimentos ruins, do isolamento, da depressão, da ansiedade e de tudo que faz mal à nossa alma. Essa paz é real; é a presença do Reino de Deus dentro de nós.

Filipenses 4:7 – “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.”

Essa paz guarda a mente, protege nossas emoções e nos saram em Cristo Jesus, proporcionando uma vida com saúde emocional e alegria verdadeira. Só quem vive o Reino de Deus pode desfrutar plenamente dessa paz.

É alegria, porque somos um povo alegre. Alegria é uma qualidade interior, que não depende do que acontece ao nosso redor. É um estado de contentamento e confiança em Deus, mesmo em meio às dificuldades.

Somos alegres porque temos motivos para isso — e o maior deles é a salvação. Somos felizes porque Deus realizou o maior milagre em nossas vidas. A alegria do Senhor nos dá vigor espiritual para enfrentar desafios, dificuldades e lutas diárias.

Neemias 8:10 – “Não se entristeçam, pois a alegria do Senhor é a nossa força.”

Filipenses 4:4 – “Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente direi: alegrai-vos!”


Como entrar no Reino de Deus?

Precisamos de três atitudes para entrar no Reino de Deus: arrependimento, novo nascimento e obediência.

Mateus 4:17 – “Daí em diante Jesus começou a pregar: ‘Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo’.”

Sem arrependimento, é impossível entrar no Reino de Deus. O arrependimento é a base da salvação; é a demonstração sincera de quem realmente deseja se entregar a Jesus.

João 3:3 – “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.”

O novo nascimento representa uma mudança de vida. Nascemos naturalmente, mas esse nascimento está contaminado pelo pecado. Não podemos entrar no Reino com ele. Por isso, precisamos nascer para uma nova vida em Cristo, permitindo que Ele reine em nosso coração.

Mateus 7:21 – “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.”

O Reino exige obediência. Como já vimos, somos súditos do Rei e vivemos para fazer a Sua vontade. O melhor é que a vontade do Rei sempre é o melhor para nós. A obediência traz benefícios incontáveis: nos proporciona uma vida mais leve, plena e alinhada com os planos de Deus, pois sabemos que o que Ele ordena é para o nosso bem.


Aplicação

Se o Reino já está em nós, precisamos viver como súditos do Rei: precisamos buscar primeiro o Reino.

“Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.” Mateus 6:33

Ser sal e luz no mundo

“Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. “Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. Mateus 5:13,14

Anunciar o Reino com palavras e atitudes

Por onde forem, preguem esta mensagem: ‘O Reino dos céus está próximo’. Mateus 10:7


Conclusão

O Reino de Deus é a maior realidade da vida cristã. Não é apenas futuro, mas já está presente em nós.

A pergunta é: Quem governa sua vida: você, o mundo, ou o Rei Jesus?

Sugestão de oração: Que o Reino de Deus governe nossos pensamentos, sentimentos e escolhas, até que Cristo volte e o Reino seja consumado para sempre.

Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br

O tesouro escondido


“O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo.” Mateus 13:44

Imagine a possibilidade de resolver todos os seus problemas financeiros para sempre, nunca mais se preocupar com dinheiro. Creio que seja o sonho de muita gente.

Nessa parábola, Jesus conta sobre um homem que acha um tesouro que estava escondido em um campo. Esse tesouro era tão valioso que ele comprou aquele campo para tê-lo para si.

Vamos pensar sobre o que Jesus está querendo transmitir a nós com essa parábola — sobre esse tesouro maravilhoso que pode mudar completamente as nossas vidas.

Esse tesouro tem um valor inestimável, nos enche de alegria e vale tudo o que temos. É sobre isso que vamos refletir.

1. Um valor inestimável

“Não ajuntem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas ajuntem para vocês tesouros no céu… Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” Mateus 6:19-21

O Reino de Deus possui um valor inestimável; não é possível calculá-lo. Depois de adquirido, ninguém pode nos roubar esse tesouro, somente nós podemos rejeitá-lo.

O homem encontrou o tesouro e o escondeu novamente. Por que ele fez isso? Porque era precioso demais. Ele o escondeu temporariamente com medo de perder, pois sabia que o valor era incalculável. Na época de Jesus, as pessoas não tinham lugares seguros para guardar seus tesouros, então muitas enterravam bens valiosos para protegê-los de ladrões, invasões ou guerras.

Se alguém encontrasse um tesouro em um terreno que não era seu, não podia simplesmente pegá-lo — a posse pertencia ao dono do campo.

Por isso, o homem da parábola o esconde de novo, vai, compra o campo e então o tesouro passa a ser legitimamente seu. Ele foi muito sábio em fazer isso.

O Reino precisa ser guardado no coração com muito cuidado e sabedoria. O inimigo tenta o tempo todo tirá-lo de nós, mas precisamos proteger esse tesouro. Não estamos falando de guardar e não compartilhar com ninguém, mas de reconhecer que ele é precioso e zelar por ele.

Jesus nos orienta a não acumular tesouros na terra. Ele não está dizendo que não devemos investir, comprar, vender ou ter uma vida próspera. Guardar recursos de forma responsável é prudente. Mas o que Ele nos alerta é sobre prioridades: o tesouro que você junta na terra tem valor limitado; o que você ajunta no céu tem valor eterno.

“Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.”

Se nosso coração tem como prioridade os bens terrenos, tudo pode ser perdido e ficamos frustrados. Mas, se o Reino de Deus é a prioridade, jamais perderemos.

Juntar tesouros no céu significa obedecer a Deus, viver uma vida que priorize o Reino, amar a Deus acima de tudo, amar o próximo e fazer o melhor possível para servir ao Reino.

Onde está o seu tesouro, seu bem maior? Quais são seus principais sonhos e maiores projetos? O que você mais deseja na vida? Se seus planos terrenos se frustram, você desaba ou confia em Deus?

Há pessoas que, ao perder suas posses, sentem que a vida acabou, porque o coração delas está nos tesouros terrenos. Outros, como Jó, podem perder tudo — até mesmo a saúde — e continuam glorificando a Deus, pois o coração deles guarda o precioso tesouro do Reino de Deus.

“Saí nu do ventre de minha mãe, e nu partirei. O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor.” Jó 1:21

2. Nos enche de alegria

“Feliz é o homem que acha sabedoria… Ela é mais preciosa do que rubis; nada do que possas desejar se compara a ela.” Provérbios 3:13-15

O homem que achou o tesouro ficou cheio de alegria; seu coração se alegrou tanto que, ao encontrar o tesouro, escondeu-o e vendeu tudo que tinha para comprar o campo.

Quando encontramos algo muito especial para nós, ficamos felizes e fazemos de tudo para tê-lo sempre por perto. Entretanto, é importante lembrar que o nosso coração se alegra com algo e logo deseja outra coisa. Muitas vezes, o que conquistamos é logo substituído por um próximo sonho; parece que, nunca estamos satisfeitos com nossas realizações. Não demora muito, e queremos outras coisas.

No caso do Reino de Deus, é diferente. Quando o encontramos, Ele nos completa imediatamente e passa a ser nosso maior sonho, nossa maior conquista. Nada mais se compara a Ele. A pessoa que encontra o Reino de Deus encontra sabedoria, como diz Provérbios: nada se compara a ela, nada é mais precioso, nada pode ser maior. As riquezas desta terra são boas, mas não superam o valor do Reino. Podemos ter tudo o que desejamos nesta vida, mas nada e ninguém é maior do que o Reino de Deus.

Já diz um louvor: “A alegria está no coração de quem já conhece a Jesus”, e é verdade. Somos felizes porque temos Jesus. Quando temos a alegria do Senhor, somos restaurados diariamente por Ele. Por isso, o discípulo de Cristo é feliz mesmo em meio às dificuldades, pois sabe que Deus tem um tesouro maior guardado para ele. As coisas desta terra são passageiras e podem ser roubadas ou perder o valor. Mas as coisas do céu são eternas. O foco do verdadeiro discípulo não é a vida terrena, mas a vida eterna.

Muitos crentes têm se desviado do caminho, andam tristes e sem alegria de viver porque ainda não entenderam o valor do Reino. Ainda não compreenderam que o maior bem que um ser humano pode ter é a vida eterna. Por não entender isso, ficam frustrados e se aborrecem com facilidade. Essas pessoas colocam suas vidas em primeiro lugar e o Reino de Deus em segundo, tornando difícil persistir no caminho.

Onde está a sua alegria? Você tem tido mais prazer no Reino de Deus ou na sua própria vida? Ter prazer na própria vida não é pecado; desfrutar do que temos, trabalhar, fazer negócios e curtir a vida não é errado — muito pelo contrário, Deus até quer isso de nós. Porém, quando isso passa a ocupar o lugar de Deus, temos um grande problema. Precisamos nos alegrar no Reino de Deus.

“Com alegria tirareis água das fontes da salvação.” Isaías 12:3

3. Vale tudo que temos

“Aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças…” Apocalipse 3:18

Jesus diz isso à igreja de Laodicéia, uma cidade famosa por seu comércio, roupas de lã preta e colírio medicinal. Assim como a cidade, a igreja também se considerava rica, abençoada e espiritual. Porém, Jesus tem uma palavra de advertência:

“Dizes: Estou rico, e de nada tenho falta; e não sabes que és um miserável, pobre, cego e nu.” — Ap 3:17

As pessoas confiavam inteiramente no que tinham e em suas próprias capacidades. O conselho de Jesus é: comprem de Mim ouro refinado. O que Jesus oferece é muito mais valioso do que tudo o que possuímos; nada é mais precioso do que o Reino de Deus.

Talvez você esteja se perguntando: “O que vou dar? Eu não tenho dinheiro, não tenho nada para vender. Como posso adquirir algo tão caro e precioso?”

O Reino de Deus não se trata de valores materiais, mas de vida. Quando o homem vende tudo que tem para comprar o campo com o tesouro escondido, ele está disposto a abrir mão de tudo o que possui. Então, o que podemos oferecer a Deus? A resposta é: nossa própria vida. Se há algo de valor que interessa a Jesus, é a nossa vida. Jesus não está interessado em nosso dinheiro, carro ou casa; Ele quer nossa vida. Essa é a maior oferta que podemos dar, e é a que Ele deseja receber.

Certa vez, o salmista se pergunta: “Como posso retribuir a um Deus que me deu tudo?” Logo responde: “Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor.” (Salmos 116:12-14) Ele não encontra resposta material para sua pergunta, mas recebe com gratidão a maior dádiva de Deus: a salvação. E nunca mais deixará de buscar ao Senhor. Não temos nada para oferecer a Deus, a não ser nossa própria vida.

Às vezes, entregamos partes de nossa vida, mas outras partes resistimos a entregar. Quando o homem encontrou o tesouro, ele se desfez de tudo que tinha em prol dele.

Será que estamos dispostos a entregar nossa vida em favor do Reino de Deus? Deus hoje poderia pedir qualquer coisa de nós, e a entregaríamos? Abraão entregou seu próprio filho quando Deus o pediu em sacrifício. Ele confiou plenamente, e Deus lhe devolveu o filho. Quando entregamos nossa vida, Deus nos devolve abundantemente. Mas é necessário entrega, prioridade no Reino e renúncia do próprio eu.

Maria, ao derramar todo o seu perfume caro aos pés de Jesus, ofereceu o seu melhor. Era o que tinha de mais precioso em sua casa. Ela não pensou no que perderia, mas sabia que Jesus estava diante dela e Ele era o mais importante.

Já o jovem rico rejeitou a proposta de Jesus, porque ainda havia coisas que ele não podia abrir mão — coisas que eram prioridade em sua vida. O Reino não era a prioridade para ele. Que possamos compreender o valor do Reino de Deus.

“Mas o que para mim era lucro, passei a considerar perda por causa de Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza de conhecer Cristo Jesus, meu Senhor.” Filipenses 3:7-8

Conclusão

Temos o maior tesouro que alguém pode encontrar. Nada e ninguém pode nos oferecer isso, somente Jesus. Quando o Reino de Deus é real em nossa vida, nada mais importa. Às vezes sofremos, passamos por dificuldades e sentimos dores na caminhada, mas temos a certeza de que o que recebemos é eterno e nunca acabará.

A pergunta é: Você encontrou o tesouro escondido?

Sugestão de oração: Nossa oração é que possamos guardar e valorizar esse tesouro maravilhoso. Mas também que possamos anunciar que ele existe para todos aqueles que desejam encontrá-lo.

Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br

O fermento

“E contou-lhes ainda outra parábola: “O Reino dos céus é como o fermento que uma mulher tomou e misturou com uma grande quantidade de farinha, e toda a massa ficou fermentada”. Mateus 13:33 .

Jesus contou várias parábolas para revelar o que é o Reino dos Céus. Nesta, Ele escolhe algo simples e cotidiano — o fermento — para nos ensinar sobre o poder transformador do Reino de Deus em nós e através de nós..

Você conhece o poder do fermento? Ele é usado em pouca quantidade, mas consegue fazer uma massa crescer bastante. Lentamente e de forma silenciosa, o fermento atua, influenciando toda a massa até expandi-la.

Jesus comparou o Reino dos Céus a um fermento que uma mulher colocou na massa, e ela toda cresceu. O Reino de Deus é assim: uma pequena palavra, uma atitude intencional, e logo começa a crescer no coração das pessoas até transformá-las completamente..

O fermento foi descoberto no antigo Egito, por volta de 5.000 a 4.000 a.C., e de forma acidental: um padeiro ou um escravo teria deixado restos de massa crua ao relento, possivelmente de um dia para o outro.

O ar e a farinha são naturalmente repletos de microrganismos, incluindo leveduras e bactérias. Com o calor e a umidade, essas leveduras presentes no ambiente (no ar e na farinha) se “alimentaram” dos açúcares da massa.

Ao assar essa massa “azeda” ou “velha” no dia seguinte, perceberam que o pão havia crescido, ficando mais leve, macio e saboroso do que os pães duros de antes. O processo foi repetido, guardando-se um pedaço da massa fermentada para misturar na próxima fornada, garantindo o crescimento.

Assim, os egípcios são creditados como os primeiros a descobrir e dominar a arte da fermentação, tornando o pão um alimento básico e um símbolo cultural — chegando, inclusive, a ser usado como forma de pagamento.

O fermento tem alguns efeitos interessantes que podemos alinhar com o Reino de Deus.

1. NÃO TEM APARÊNCIA

“…que uma mulher tomou e misturou com uma grande quantidade de farinha…”

O fermento é quase invisível. Você o coloca na massa e, por um tempo, parece que nada está acontecendo — mas ele está agindo. Ele não tem muita visibilidade. O mundo procura sinais visíveis, poder, influência, números — mas o Reino começa no invisível, no interior do coração.

O mundo se fortalece com o poder do marketing; nós, porém, influenciamos vidas e somos transformados pelo poder do Espírito Santo.

Através da Palavra de Deus, que é semeada em um coração de forma pequena e silenciosa, ela começa a crescer e vai tomando conta, aos poucos, de todo o ser.

Jesus era humilde, porém poderoso. Era homem, mas também era Deus. Sua aparência e sua forma de falar eram simples. Isaías diz que Ele “não tinha aparência nem formosura”; era um homem comum. No entanto, ao falar, era perceptível que estava sendo usado por Deus — não havia como duvidar.

Assim também devemos ser: pessoas humildes e simples, mas que agem pelo poder do Espírito Santo. Não precisamos demonstrar isso de forma aparente, pois as pessoas perceberão quando estiverem conosco. Faremos a diferença, não com grandes impactos, mas na simplicidade.

1 Samuel 16:7 – “O homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração.”

Lucas 17:20-21 – “O Reino de Deus não vem com aparência exterior… o Reino está dentro de vós.”

2. O CRESCIMENTO É DISCRETO

“…e toda a massa ficou fermentada.”

O fermento não faz barulho enquanto trabalha. Ele age de forma silenciosa, constante e progressiva — pouco a pouco transforma toda a massa.

O fermento natural é composto por microrganismos vivos, e seu crescimento é um processo chamado fermentação. Esses seres vivos se alimentam de açúcar e amido, produzindo principalmente dois elementos: o gás dióxido de carbono (CO₂) e o álcool (etanol). O gás carbônico (CO₂), aprisionado pela rede de glúten — a proteína da farinha —, não consegue escapar e começa a empurrar a massa. Isso faz com que ela cresça e infle, tornando-se aerada, macia e leve.

O Reino de Deus cresce sem alarde, sem pressa e sem ostentação. O Reino é composto por pessoas — seres humanos vivos, não apenas biologicamente, mas espiritualmente —, e são essas pessoas que trabalham para o seu crescimento.

O Reino também cresce com propósito e constância. No início da fé, pode parecer que nada muda, mas Deus está agindo. Ele transforma atitudes, pensamentos, desejos e valores. A transformação do Reino acontece de dentro para fora, dia após dia.

Jesus também começou o Seu Reino com doze discípulos, apenas algumas pessoas andando ao Seu redor. E hoje, veja quantos somos! Como é grande o Reino de Deus!

A aplicação do fermento aqui é para o crescimento espiritual; porém, o crescimento numérico é uma consequência natural, pois seu efeito é impactante.

Você pode se perguntar: como doze pessoas poderiam impactar o mundo? Se nós estivéssemos lá, e alguém dissesse que aqueles doze se multiplicariam grandemente, talvez muitos de nós não acreditaríamos, e certamente não poderíamos calcular as proporções desse crescimento.

Será que nós também não podemos acreditar que, através de nós, o Reino de Deus pode crescer? O que há de diferente entre nós e os discípulos? Eles eram homens comuns, como nós.

O que os fez crescer foi que acreditavam e trabalhavam pelo crescimento do Reino. Não pensavam em si mesmos, mas nos outros, em Jesus e em fazer a Sua vontade. Eles não se conformavam com o número de pessoas que alcançavam; queriam sempre mais. À medida que alcançavam alguns, desejavam alcançar ainda mais.

Filipenses 1:6 – “Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus.”

Marcos 4:26–28 – O Reino é como uma semente que cresce sozinha, “sem que o homem saiba como”.

Provérbios 4:18 – O caminho dos justos é como a primeira luz do amanhecer, que brilha cada vez mais até o dia pleno clarear.

3. O EFEITO É TRANSFORMADOR E VISÍVEL

“…e toda a massa ficou fermentada.”

Quando o fermento termina seu trabalho, o resultado é evidente: a massa cresce, muda de textura, aparência e sabor. O que era pequeno e compacto ficou bem maior — prosperou. Todos percebem a diferença; o que antes era tímido e pequeno agora revela sua beleza e qualidade.

Assim é a ação do Reino em nós: o que começou oculto se torna visível. O caráter muda, o comportamento muda, a forma de amar, servir e viver — tudo se torna diferente.

O Reino em nós não fica oculto para sempre — ele transborda para os outros. Onde há o Reino, há vida nova; onde o fermento atua, há mudança real.

Muitas pessoas têm sido completamente transformadas pelo poder de Deus. Vidas que antes praticavam o que era errado — pessoas que adulteravam, roubavam ou causavam tristeza aos seus familiares — mudaram completamente de atitude.

Somos novas criaturas. O antigo homem vai morrendo aos poucos, e vamos ganhando vida em Jesus. Somos transformados porque agora sentimos o Espírito Santo nos conduzindo. O mundo já não é mais nossa referência; agora, nossa principal referência é a Palavra de Deus. Ela é a nossa direção. Para tudo o que fazemos, é nela que buscamos orientação.

Nossos conselhos já não são mais para o mal — agora são sempre para o bem. Nosso caráter é transformado, e a cada dia nos tornamos mais parecidos com Cristo.

2 Coríntios 5:17 – “Se alguém está em Cristo, é nova criatura…”

Mateus 5:16 – “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens.”

CONCLUSÃO

O fermento é uma força viva e silenciosa — assim também é o Reino de Deus. Ele entra no coração, age no oculto, cresce discretamente, mas transforma tudo.

Não pode ser um espetáculo; é vida, não aparência. É presença, não imediatismo — é um processo.

Não importa a situação em que você se encontra hoje; o que realmente importa é que você esteja no processo, disposto a crescer e melhorar. Então, deixe o Reino agir em você! Não despreze o que Deus faz em silêncio.

Você está sendo preparado e, à medida que cresce, terá condições de ajudar o outro com o que já aprendeu. No Reino de Deus, ninguém pode ficar parado: ele é um organismo vivo. Deus tem algo para cada um de nós, há espaço para todos e é preciso que cada um faça a sua parte. Não se preocupe com os resultados; esteja atento ao processo.

Mesmo aquele que entra no Reino de Deus hoje já começa o processo de mudança e crescimento, e certamente poderá dizer que sentiu Deus falar com ele ou ela de alguma forma.

O Reino começa invisível dentro de nós, mas um dia será plenamente visível, quando Cristo voltar. Até lá, deixemos que Ele continue nos transformando, como o fermento que age até que toda a massa seja levedada.

DESAFIO

Permita que o Espírito Santo trabalhe nas áreas escondidas do seu coração. Seja paciente com o processo de Deus — o crescimento é discreto, mas real.

Deixe que o Reino transborde na sua vida e influencie outros. Que possamos pregar com paciência, confiando que Deus fará crescer e transformar corações. Precisamos anunciar o Reino e estar sempre disponíveis ao chamado de Deus.

Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br

OS DOIS FILHOS


“Qual dos dois fez a vontade do pai? ” “O primeiro”, responderam eles. Jesus lhes disse: “Digo-lhes a verdade: Os publicanos e as prostitutas estão entrando antes de vocês no Reino de Deus. Mateus 21:31

Essa parábola acontece por causa de uma pergunta feita pelos chefes dos sacerdotes e os líderes religiosos. Ela está no versículo 23 do capítulo 21 de Mateus:

“Jesus entrou no templo e, enquanto ensinava, aproximaram-se dele os chefes dos sacerdotes e os líderes religiosos do povo e perguntaram: “Com que autoridade estás fazendo estas coisas? E quem te deu tal autoridade? ” Mateus 21:23

Jesus havia entrado em Jerusalém montado em um jumentinho, sendo aclamado. A multidão gritava:

“Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!” (21:9)

Ele purificou o templo, expulsando os comerciantes (21:12–17), curou cegos e mancos (21:14), e não negou a adoração que vinha das crianças (21:16).

Jesus, porém, os desafia a responder uma pergunta que Ele faria. Vamos ler:

²⁴ Respondeu Jesus: “Eu também lhes farei uma pergunta. Se vocês me responderem, eu lhes direi com que autoridade estou fazendo estas coisas. ²⁵ De onde era o batismo de João? Do céu ou dos homens? ” Eles discutiam entre si, dizendo: “Se dissermos: ‘do céu’, ele perguntará: ‘Então por que vocês não creram nele? ’ ²⁶ Mas se dissermos: ‘dos homens’ — temos medo do povo, pois todos consideram João um profeta”. ²⁷ Eles responderam a Jesus: “Não sabemos”. E ele lhes disse: “Tampouco lhes direi com que autoridade estou fazendo estas coisas”. Mateus 21:24-27

Eles de fato ficaram embaraçados, sem saber o que fazer. Então Jesus lhes propõe uma parábola, a fim de mostrar a importância da obediência a Deus:

²⁸ “O que acham? Havia um homem que tinha dois filhos. Chegando ao primeiro, disse: ‘Filho, vá trabalhar hoje na vinha’. ²⁹ “E este respondeu: ‘Não quero! ’ Mas depois mudou de idéia e foi. ³⁰ “O pai chegou ao outro filho e disse a mesma coisa. Ele respondeu: ‘Sim, senhor! ’ Mas não foi. ³¹ “Qual dos dois fez a vontade do pai? ” “O primeiro”, responderam eles. Jesus lhes disse: “Digo-lhes a verdade: Os publicanos e as prostitutas estão entrando antes de vocês no Reino de Deus. Mateus 21:28-31

Vamos analisar a condição do pai e dos dois filhos:

O PAI

O pai tem uma vinha que precisa de trabalhadores. Então ele faz o mesmo convite para os dois filhos.

O convite é igual para todos. Deus tem chamado a todos para participar, mas o Pai espera uma ação de cada um de nós.

O PRIMEIRO FILHO

²⁸ “O que acham? Havia um homem que tinha dois filhos. Chegando ao primeiro, disse: ‘Filho, vá trabalhar hoje na vinha’. ²⁹ “E este respondeu: ‘Não quero! ’ Mas depois mudou de idéia e foi. Mateus 21:28,29

O primeiro filho era resistente, desobediente e respondão — uma atitude de rebeldia, pois o pai deu uma ordem e ele não acatou.

Muitos filhos hoje estão assim, dizem “não” para o pai, e essa atitude machuca o coração do pai.

Mas esse filho, que disse “não”, arrependeu-se, mudou de ideia e foi trabalhar.

Ele parece ter refletido com calma e avaliou o quanto era importante obedecer. Arrependido do que fez, foi cumprir a ordem do pai.

Imagine a alegria desse pai! Quando isso acontece, os pais, movidos pela alegria do arrependimento, logo deixam de lado a resposta rude e se alegram, enchendo o coração de orgulho. Que bom que ele se arrependeu!

Ele respondeu de forma errada, sim. Não mostrou respeito, foi frio na hora do pedido do pai.

Porém, depois se mostrou interessado — valorizou o pai, lembrou-se de como o pai e a vinha eram importantes.

Percebeu que obedecer não é um sacrifício, mas algo bom e agradável.

A recompensa pela obediência é maravilhosa e vem acompanhada de muitos benefícios. Então, ele fez o que era certo: voltou e trabalhou.

O SEGUNDO FILHO

³⁰ “O pai chegou ao outro filho e disse a mesma coisa. Ele respondeu: ‘Sim, senhor! ’ Mas não foi. Mateus 21:30

O segundo filho, aparentemente obediente, demonstra respeito ao dizer: “Sim, senhor!”

No primeiro momento, parece encher o coração do pai de alegria. Ele diz “sim”, sem questionar — parece obediente e respeitoso.

Que diferença do primeiro filho! Porém, ele estava mentindo.

Disse “sim”, mas por dentro já planejava não ir. Sua resposta foi enganosa.

Quantos filhos têm feito isso com seus pais — uma aparência de obediência, mas sem verdade no coração. Parecem bons, mas no fundo não são. Seu respeito é apenas da boca pra fora.

Ele priorizou suas próprias vontades e desejos, esquecendo que o pai é quem o sustenta e cuida dele. Quando um filho nega a vontade do pai, está ignorando todos os benefícios que o pai oferece.

Ele não deu valor à vinha. Tudo que o pai desejava era que seus filhos valorizassem o trabalho da vinha — e ele não valorizou.

O filho queria os benefícios do Reino, mas não o trabalho árduo. Queria o que o pai tinha para oferecer, mas não queria contribuir com o pai.

Fico imaginando o coração do pai, que confiou nele e, por um instante, se alegrou, mas logo descobriu que havia sido enganado pelo próprio filho.

A GRANDE QUESTÃO

³¹ “Qual dos dois fez a vontade do pai? ” “O primeiro”, responderam eles. Jesus lhes disse: “Digo-lhes a verdade: Os publicanos e as prostitutas estão entrando antes de vocês no Reino de Deus. Mateus 21:31

Está claro que o primeiro fez a vontade do pai. Mesmo respondendo de forma ríspida, ele se arrependeu.

Olhando para o pai, vemos que ele é justo e quer que todos trabalhem com ele. O pai continua dando a mesma ordem para cada um de nós.

O Pai representa Deus, e a vinha representa o Seu Reino ou a Sua obra. Ele chama a todos para trabalhar em Sua vinha.

Essa parábola não era apenas uma história, mas um espelho da realidade: Deus está chamando pessoas — homens, mulheres, jovens, crianças — sem distinção de raça, posição social ou capacidade.

Quem vai negar ao chamado de Deus?

Mas Jesus conclui a parábola mostrando o que realmente queria dizer: “Os publicanos e as prostitutas estão entrando no Reino de Deus antes de vocês.”

Olha que interessante: era para eles entrarem primeiro, porém, por negligenciarem o trabalho do Reino, estão sendo ultrapassados.

³² Porque João veio para lhes mostrar o caminho da justiça, e vocês não creram nele, mas os publicanos e as prostitutas creram. E, mesmo depois de verem isso, vocês não se arrependeram nem creram nele”. Mateus 21:32

O problema não era só a desobediência, mas a desobediência consciente. Os mestres e líderes religiosos sabiam o que precisavam fazer e não faziam. Conheciam a Deus e a Sua Palavra, mas, mesmo com todo esse conhecimento, eram apenas religiosos, como o segundo filho — sem um coração arrependido.

Muitos crentes hoje andam assim: são puramente religiosos, não se envolvem com o trabalho da vinha, arrumam desculpas, dizem que vão, mas não vão. Como o segundo filho, priorizam a própria vida. Sabem que a vinha existe, sabem do desejo do Pai, sabem que é uma ordem, mas não dão importância. Preferem desfrutar dos benefícios do Reino, mas não querem o trabalho árduo.

Estamos agora diante do Pai, eu e você. Com qual filho vamos nos parecer? Será que vamos ignorar a ordem de Deus?

Talvez estejamos na posição do primeiro filho — dizendo “não” até aqui —, mas hoje temos a oportunidade de refletir e dizer “sim”, arrependidos pelos “nãos” que já demos.

Agora é o momento em que Jesus pergunta novamente: “Qual fez a vontade do Pai?” Será que continuaremos ignorando a vontade do Pai, mesmo sabendo que ela é real? Hoje podemos mudar completamente nossas atitudes — e isso só acontece quando há arrependimento sincero.

Vamos continuar na religiosidade ou vamos mergulhar mais fundo? Vamos deixar as desculpas e encarar a realidade?

A decisão é nossa — minha e sua. Não podemos transferir para ninguém. Não adianta mentir para Deus nem apresentar desculpas. Ele sabe se o que estamos falando é verdade ou apenas aparência.

Graças a Deus, temos hoje uma nova oportunidade. Que você seja como o primeiro filho: arrependa-se e faça o seu melhor. Dê orgulho ao Pai e trabalhe em Sua vinha.

Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br

OS DOIS CONTRUTORES


“Eu lhes mostrarei a que se compara aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras e as pratica. É como um homem que, ao construir uma casa, cavou fundo e colocou os alicerces na rocha. Quando veio a inundação, a torrente deu contra aquela casa, mas não a conseguiu abalar, porque estava bem construída. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as pratica, é como um homem que construiu uma casa sobre o chão, sem alicerces. No momento em que a torrente deu contra aquela casa, ela caiu, e a sua destruição foi completa”. Lucas 6:47-49

Como vai a sua casa? Você sabe como ela foi construída? Sabe se ela tem uma boa fundação, se os alicerces foram bem colocados e são capazes de suportar as estruturas?

A maioria das pessoas não sabe. Muitas compram casas e apartamentos sem imaginar como foram construídos. É verdade: raramente pensamos nos alicerces — olhamos para a beleza, localização, tamanho, acabamento — mas esquecemos do que está por baixo.

Você provavelmente já viu casas e prédios que desabaram porque a estrutura era fraca, feitos sobre terrenos instáveis. Quando veio a tempestade, a casa caiu. Isso acontece também com a vida espiritual de muitos: tentam construir de qualquer maneira, economizando esforço e tempo.

Jesus faz uma comparação entre a construção de uma casa e a construção da vida espiritual. Vamos observar alguns detalhes dessa parábola.

“Você sabia que o edifício Burj Khalifa, em Dubai, o mais alto do mundo, tem uma fundação que desce mais de 50 metros no chão? É invisível, ninguém tira foto dela, mas sem ela, aquele prédio seria destruído com o primeiro vento. Assim também é a nossa vida espiritual — o que ninguém vê é o que sustenta tudo.”

O CONSTRUTOR PRUDENTE

O primeiro construtor é descrito como prudente. Ele cava fundo, coloca os alicerces sobre a rocha, ouve a Palavra e a pratica.

Perceba: ele não apenas ouve, mas pratica. Sua casa enfrenta uma grande tempestade, mas não se abala — porque foi bem construída.

Ser prudente é ser sensato, cuidadoso, prevenido. Cavar fundo dá trabalho, exige esforço, tempo e investimento. Ninguém elogia os alicerces de uma casa, porque eles não aparecem. Mas é justamente o que está escondido que sustenta tudo.

Assim é a vida do cristão firme em Cristo, a verdadeira Rocha. Quando investimos na vida espiritual, oramos, lemos a Bíblia e adoramos a Deus com constância, estamos fortalecendo nossos alicerces.

Infelizmente, muitos têm construído alicerces rasos. Vivem apenas de cultos, sem manter comunhão durante a semana. Outros mal abrem a Bíblia, e quando chegam as tempestades, não suportam.

O CONSTRUTOR INSENSATO

O segundo homem é chamado de insensato. Ele ouve, mas não pratica. Quer construir rápido, se preocupa apenas com a aparência externa. É mais fácil, mais barato, mais rápido.

Por fora, a casa pode ser bonita, mas por dentro, é frágil. Quando vem a tempestade, cai. É preciso escolher solo firme e estável, que suporte o peso da estrutura. Terrenos arenosos, úmidos ou instáveis exigem reforços ou se tornam perigosos.

Assim acontece com muitos: parecem firmes, mas qualquer vento contrário os derruba. Não suportam críticas, provações ou dificuldades, porque seus alicerces são superficiais.

O homem insensato não fez um projeto bem elaborado, nem considerou os riscos futuros. Ele apenas quis construir, sem pensar nas consequências. O grande problema é que, mesmo tendo investido tempo e dinheiro, a casa desabou — e isso trouxe enormes prejuízos.

Pior ainda: uma construção malfeita pode ferir pessoas inocentes, ou até causar a morte. Agora, esse construtor precisa investir tudo novamente para começar do zero. Não é uma forma sábia de construir — nem uma maneira segura de viver.

O FUNDAMENTO

Onde você tem construído a sua casa? Ambos os construtores ouvem, mas só um pratica. somente ouvir a Palavra já não é suficiente.

Jesus não está comparando quem ouve e quem não ouve, mas quem ouve e quem pratica. Ambos vão à igreja, ambos conhecem a Palavra, mas só um obedece. O problema não está em ouvir pouco, mas em obedecer pouco.

Perceba: a chuva veio sobre as duas casas. Ser fiel a Cristo não é um seguro contra tempestades, é a garantia de permanecer de pé quando elas vierem. A diferença não está na tempestade, mas no fundamento.

A rocha não é apenas um conjunto de ensinamentos — é uma Pessoa: Cristo. Não basta conhecer versículos, é preciso conhecer o Autor. Construir sobre a rocha é ter um relacionamento profundo com Jesus, não apenas uma religião.

A Palavra de Deus diz em Oséias 4:6: “O meu povo foi destruído por falta de conhecimento.”

Vivemos tempos em que muitos rejeitam o conhecimento e negligenciam a Palavra. Sua vida espiritual se baseia apenas em emoções ou experiências passageiras.

Não há nada errado em sentir a presença de Deus ou ouvir uma profecia — mas se não estivermos firmes na Palavra todos os dias, não suportaremos as tempestades.

Rejeitar o conhecimento é rejeitar o ensino de Cristo, pois Ele é a Palavra viva (João 1:1). Como podemos dizer que o seguimos se não o conhecemos?

A única maneira de estar firme na rocha é ter os alicerces fincados nela — e Cristo é essa Rocha.

CONCLUSÃO

Talvez hoje Deus esteja te mostrando rachaduras em sua casa espiritual. Ele não quer te condenar, mas te convidar a reconstruir. Ainda dá tempo de cavar fundo, de firmar sua vida na rocha. Jesus não quer te ver desabando — Ele quer ser o teu alicerce.

“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra.” 2 Crônicas 7:14-15

Deus nos chama a quatro atitudes fundamentais: humilhar-se, orar, buscar e afastar-se do mal. Quem faz isso constrói sobre a Rocha e permanece firme, mesmo nas tempestades. Construa sua vida sobre Cristo. Cavar fundo dá trabalho, mas vale a pena. Quando as águas subirem e os ventos soprarem, você permanecerá firme. Cristo é a Rocha.

Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br

O SAL DA TERRA

“Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens.” Mateus 5:13

A Guerra do Sal de 1540 foi uma revolta civil na cidade de Perúgia, na Itália Central, contra a autoridade do Papa Paulo III. O conflito começou quando o Papa, necessitando de fundos para o Estado Papal, decretou um pesado e impopular imposto sobre o sal.

O sal era essencial para a conservação dos alimentos, e seu aumento de preço foi visto pelos peruginos como uma afronta direta à sua subsistência. Liderados por nobres locais, os cidadãos se revoltaram, recusando-se a pagar o tributo e expulsando as autoridades papais da cidade.

Em resposta, o Papa enviou um exército que sitiou e conquistou Perúgia. A revolta foi rapidamente esmagada, resultando na perda definitiva da autonomia da cidade, que foi totalmente incorporada aos Estados Papais. Como punição e símbolo de seu poder, o Papa ordenou a construção da imponente Rocca Paolina (Fortaleza Paulina) no coração de Perúgia.

Uma lenda cultural fascinante diz que, em protesto silencioso contra a tirania tributária, os habitantes da Úmbria teriam decidido parar de usar sal no pão, dando origem ao famoso pão sem sal (pane sciocco) que é tradicional na região até hoje.

Você já experimentou uma comida sem sal? Fica sem graça, não é verdade? Também já experimentou uma comida salgada demais? Fica difícil de comer. O sal é bom, mas precisa ser usado na medida certa. Quem não gosta de uma comida bem temperada?

Jesus usa o exemplo do sal para ensinar como deve ser o comportamento e o caráter dos seus discípulos. Ele usa o sal para ilustrar a influência e o papel do cristão no mundo.

Mas por que Jesus escolheu justamente o sal? Porque o sal tem características únicas, essenciais à vida, é simples, mas indispensável. Sem o sal, a vida perde o sabor.

O SAL PRESERVA

No tempo de Jesus, o sal era usado para impedir que os alimentos se corrompessem. Antes da invenção da refrigeração, ele era o principal método de conservação.

O sal retira a umidade dos alimentos (processo chamado osmose), criando um ambiente onde bactérias e fungos não conseguem se multiplicar.

Assim, a carne e o peixe duravam muito mais tempo. Da mesma forma, o cristão é chamado a frear a decomposição moral e espiritual do mundo.

Precisamos combater o pecado e preservar uma vida santa diante de Deus. O verdadeiro discípulo mantém sua pureza, mesmo vivendo num mundo corrompido.

“Sede santos, porque Eu sou santo.” 1 Pedro 1:16

Existe um motivo para buscarmos a santidade: Deus é santo. Se pertencemos a Ele e O seguimos, devemos lutar diariamente para refletir o Seu caráter. Ser santo não é ser perfeito, mas separado para Deus, vivendo de maneira diferente do sistema deste mundo.

“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da mente…” Romanos 12:2

Nossa mente foi renovada pelo Evangelho. Quando Cristo entrou em nós, tudo se fez novo — agora o nosso padrão é o padrão de Deus, e não mais o padrão do mundo.

O padrão do mundo é o pecado; o padrão de Deus é a santidade. O mundo não se preocupa em agradar a Deus, mas nós nos importamos com isso, porque o Espírito Santo habita em nós.

por isso, nossa maneira de viver, falar e agir é diferente. Não falamos como o mundo fala, não usamos palavras de maldição, e nem participamos dos mesmos costumes.

Fomos chamados para viver de forma separada, como testemunhas da graça de Deus neste tempo.

Nosso papel é fazer a diferença, preservando os valores do Reino de Deus. Nosso diferencial não é sermos melhores do que ninguém, mas pertencermos a outro Reino. Somos cidadãos dos céus, vivendo temporariamente neste mundo.

“A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” Filipenses 3:20

Quando recebemos Jesus em nosso coração, nossa identidade e nossa pátria mudaram. Agora, a nossa missão é preservar a santidade e a verdade de Deus em meio à corrupção.

Se somos discípulos de Cristo, precisamos nos parecer com Ele. E, se fomos chamados para fazer discípulos, precisamos ser cópias vivas de Cristo, para que outros também O vejam em nós.

“Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo.” 1 Coríntios 11:1

Assim como o sal preserva os alimentos da corrupção, tenho preservado minha vida e meu coração da contaminação do pecado?

O meu testemunho tem ajudado a preservar a fé e os valores do Reino de Deus onde eu estou?

O SAL DA SABOR

O sal é um dos temperos mais usados no mundo e tem um papel essencial na alimentação. Ele realça o sabor natural dos alimentos, tornando as comidas mais agradáveis e equilibradas. Sem sal, os alimentos ficam sem graça, sem vida, e o sabor natural parece desaparecer.

O sal não cria o gosto — ele potencializa o sabor que já existe. Quando colocado na medida certa, destaca os aromas, reduz o amargor e equilibra os diferentes sabores de uma refeição.

Do ponto de vista técnico, o sal estimula as papilas gustativas, que são as células da língua responsáveis por perceber o sabor.

Ele também aumenta a salivação, ajudando o paladar a captar melhor cada detalhe do alimento. Além disso, o sal realça o aroma e a textura dos alimentos, fazendo com que até comidas simples se tornem mais agradáveis de comer.

Por isso, ele é considerado indispensável na culinária — uma pequena quantidade já transforma completamente o sabor de um prato.

Da mesma forma, a vida do discípulo de Cristo precisa dar sabor onde quer que ele esteja. O cristão leva paz onde há guerra, alegria onde há tristeza, e consolo onde há dor.

“Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.” Mateus 5:9

Nossa forma de falar também deve ser diferente. O discípulo de Jesus fala com sabedoria, mansidão e graça. Ele não fala tudo o que pensa, mas pensa e ora antes de falar, buscando sempre saber se suas palavras vão edificar ou ferir.

“A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibam como devem responder a cada um.” Colossenses 4:6

O verdadeiro discípulo entende que suas palavras têm poder — podem construir ou destruir. Por isso, fala com amor, prudência e discernimento.

“A palavra branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” Provérbios 15:1

Nosso comportamento também deve ser diferente do padrão do mundo. Não revidamos com agressões quando somos confrontados. Procuramos sempre agir com sabedoria e domínio próprio, refletindo o caráter de Cristo.

“O servo do Senhor não deve brigar, mas deve ser amável para com todos, apto para ensinar e paciente.” 2 Timóteo 2:24

Isso não significa que não sentimos raiva ou vontade de reagir — isso é humano — mas não permitimos que a carne governe nossas reações, porque discípulos se comportam diferente. Tudo que o discípulo faz, ele pensa primeiro em Cristo.

Jesus foi o exemplo perfeito. Ele sabia como falar com cada pessoa: com fariseus, mestres da lei, pessoas simples e pecadores.

Cada situação exigia uma abordagem diferente, e Ele sempre agia com sabedoria e amor. Assim também devemos agir — entendendo a realidade de cada pessoa antes de responder ou reagir.

“Seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar.” Tiago 1:19

Nesse versículo podemos perceber três comportamentos interessantes: o primeiro é pronto para ouvir, precisamos ouvir com atenção; o segundo é tardio para falar, significa que devemos demorar pra falar, porque temos que analisar tudo o que ouvimos para falar a coisa certa; o terceiro é que devemos ser tardios para nos irar, não ficamos irados com facilidade, analisamos o contexto e os porquês do acontecimento até chegarmos a um entendimento completo da situação, refletimos bastante para não nos irarmos com facilidade.

O discípulo leva alegria, fé e esperança onde vai. Sempre tem uma palavra bíblica, um incentivo, uma mão estendida. Enquanto o mundo empurra para baixo, o cristão levanta e encoraja. Usa misericórdia em vez de julgamento, palavras de vitória em vez de derrota.

“Portanto, consolem-se uns aos outros e edifiquem-se mutuamente.” 1 Tessalonicenses 5:11

Somos chamados para edificar a vida dos outros. O discípulo também se destaca por sua honestidade e fidelidade. Cumpre sua palavra, é confiável, é bom aluno, bom funcionário, bom chefe. Não busca reconhecimento para si, mas faz tudo para a glória de Deus. Com isso somos edificadores.

“E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens.” Colossenses 3:23

É isso que faz a diferença: fomos chamados para impactar o mundo de maneira positiva, para que Cristo seja exaltado através de nossa vida.

Assim como o sal dá sabor e transforma o alimento, a minha vida tem trazido sabor e alegria às pessoas ao meu redor, ou tem deixado o ambiente sem graça e sem diferença?

O SAL PROVOCA SEDE

O sal (cloreto de sódio) é essencial para o funcionamento do corpo humano, pois ajuda a regular o equilíbrio de líquidos, transmitir impulsos nervosos e manter a contração muscular.

No entanto, quando consumimos alimentos muito salgados, a concentração de sódio no sangue aumenta.

O corpo é muito sensível a esse desequilíbrio. Para manter o nível ideal de sódio e água — o que chamamos de equilíbrio osmótico — o cérebro entra em ação.

A região responsável por isso é o hipotálamo, que detecta o aumento da concentração de sódio no sangue e envia um sinal de sede. Esse mecanismo faz com que a pessoa sinta vontade imediata de beber água. Ao beber, o corpo dilui o excesso de sal e restabelece o equilíbrio entre água e eletrólitos (como sódio e potássio).

Além disso, o corpo também libera menos urina nesse momento, para evitar a perda de água até que o equilíbrio seja normalizado. Por isso, após comer alimentos muito salgados — como batatas fritas, queijos ou embutidos — é comum sentir boca seca e sede intensa. Em resumo, quanto mais sal consumimos, mais o corpo pede água, porque o organismo busca constantemente manter o equilíbrio interno entre líquidos e sais minerais.

Os discípulos de Jesus despertam sede de Deus na vida das pessoas. Quando nos relacionamos com os outros, eles percebem algo diferente em nós — nosso comportamento, modo de falar, de vestir, o tratamento com as pessoas, a compaixão, a alegria e a paz interior. Tudo isso faz com que sintam o desejo de conhecer a Deus também.

Os comportamentos que mencionamos nos tópicos anteriores causam um impacto positivo nas pessoas, a ponto de elas desejarem viver o mesmo que nós vivemos, de quererem o Deus que habita em nós.

Mas existe um detalhe importante sobre o sal: a quantidade. O sal em excesso faz mal. Da mesma forma, o cristão precisa ter equilíbrio em sua maneira de influenciar.

Não podemos ser insistentes ou chatos quando as pessoas ainda não estão prontas para ouvir; não devemos “salgar demais”.

O sal é bom na medida certa — e o mesmo vale para o discípulo de Cristo. Cobrar demais de quem está começando na fé, julgar sem entender os motivos, ou falar tanto sobre o Evangelho a ponto de sufocar o outro pode afastar, em vez de atrair.

Precisamos ser prudentes, sábios e equilibrados, sabendo quando e como falar, tratando cada pessoa com amor e sensibilidade.

O sal existe para temperar, não para salgar. Nós também somos chamados para influenciar de forma positiva — somando, ajudando, servindo e encorajando.

Assim como o corpo, ao consumir sal, sente sede e busca água, quando testemunhamos com sabedoria e amor, as pessoas também sentem sede — sede de Deus.

Essa é a missão de um verdadeiro discípulo de Cristo: despertar nos outros o desejo de buscar o mesmo Senhor que nos transformou.

“Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.” João 7:37-38

“Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” Provérbios 25:11

“Antes, santifiquem a Cristo como Senhor em seu coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês, mas façam isso com mansidão e respeito.” 1 Pedro 3:15

As pessoas têm sentido sede de Deus através da forma como eu vivo e falo?

MAS, SE ELE FOR INSÍPIDO…

“Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens.” Mateus 5:13

Estamos diante de uma triste realidade, da qual não poderíamos deixar de falar. Na prática, o sal puro (cloreto de sódio) não perde seu sabor químico. Porém, no tempo de Jesus, o sal não era totalmente puro — ele vinha misturado com minerais e impurezas, extraído principalmente do Mar Morto. Com o tempo e a umidade, o sódio se dissolvia, e o que restava era apenas o pó sem gosto — aparentava ser sal, mas já não tinha função.

Jesus está nos alertando sobre o perigo de parecer discípulo, mas não viver como tal. É possível manter a aparência, mas sem o “sabor” do Reino, sem testemunho, sem graça, sem amor. Quando o cristão se mistura demais com o mundo, perde a força de influenciar — torna-se irrelevante espiritualmente.

É muito fácil, na vida do discípulo, perder o sabor. O mundo tem grande capacidade de nos influenciar. Por isso, nossa vida é uma luta diária, onde todos os dias precisamos tomar a decisão de vencer e sermos discípulos melhores. Não podemos deixar de vigiar — precisamos estar constantemente atentos para saber se estamos seguindo o fluxo do mundo ou vivendo segundo a Palavra de Deus.

Sal sem sabor perde o propósito. Discípulo sem avivamento diário perde a unção e acaba não servindo para nada. O pior é que, se permanecer assim, será “pisado pelos homens” — zombado, desacreditado, motivo de escândalo. Quando não vivemos nossa fé, deixamos de ser instrumentos de Deus e passamos a ser apenas parte do ambiente.

Precisamos manter nossa comunhão diária com Deus. Não dá para se alimentar apenas das pregações dos cultos ou das orações dos irmãos — é preciso relacionamento pessoal, vigilância constante e confronto diário com o pecado.

“Mas, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca.” Apocalipse 3:16

CONCLUSÃO

Jesus nos chamou para ser o sal da terra — e isso significa viver de forma a influenciar o mundo com o sabor do Reino de Deus. Precisamos preservar os valores do Reino, assim como o sal preserva os alimentos, combatendo o pecado e defendendo a vontade de Deus. Também devemos dar sabor à vida das pessoas, sendo agradáveis e levando alegria, paz, consolo e esperança aos corações.

E, por fim, precisamos despertar sede de Deus nas pessoas./p>

Nosso testemunho deve ser tão verdadeiro e impactante que leve outros a desejar pertencer ao mesmo Reino que nós pertencemos./p>

Nossa vida precisa causar impacto, ser luz e referência do amor de Cristo neste mundo./p>

Hoje é tempo de refletir: Será que minha vida tem sido assim? Tenho influenciado o ambiente onde estou ou tenho sido influenciado por ele?/p>

Cristo nos oferece a oportunidade de mudança — de rever nossos hábitos, atitudes e palavras, para que, através de nós, outros também sintam sede de Deus.

Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br

A LUZ DO MUNDO


“Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.” Mateus 5:14

Você conhece a importância da luz para nossas vidas? A luz é essencial para a vida humana em todos os sentidos — físico, emocional e biológico. Sem luz, a Terra seria um lugar frio, sem cor, sem calor e sem vida. É por meio da luz solar que as plantas realizam a fotossíntese, processo que produz o oxigênio que respiramos e os alimentos que sustentam toda a cadeia da vida. A luz também regula o relógio biológico do ser humano, influenciando o sono, o humor e até o funcionamento do corpo. Além disso, ela permite a visão — é pela luz que percebemos formas, cores e movimentos, tornando possível toda a nossa interação com o mundo.

Mais do que iluminar o ambiente, a luz traz energia, direção e segurança. Com ela, podemos enxergar o caminho, identificar perigos e encontrar beleza nas coisas ao redor. Onde há luz, há calor, vida e crescimento; onde ela falta, reina o frio, a confusão e a morte. Em resumo, a luz é o elemento que torna a vida possível — ela revela, aquece, alimenta e guia.

A LUZ PODE SER REFLETIDA

João 8:12 — “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.”

Jesus falou que somos a luz do mundo, mas Ele também disse que é a luz do mundo. Ele quer que reflitamos a luz que vem dEle próprio. Ele é a própria luz, a própria fonte de energia, e nós somos reflexos dessa luz. Quando Jesus diz que somos luz, não é para termos luz própria ou para que nossa vida brilhe neste mundo, mas para refletirmos uma luz que já existe: Ele mesmo, Jesus.

Jesus é o criador de todas as coisas, veio ao mundo, morreu, ressuscitou e foi para o Pai. Mas Ele nos deu uma missão: pregar o evangelho, ser representantes dEle nesta terra. Todo representante representa algo ou alguém; nós representamos Cristo, somos reflexo dEle. Precisamos andar como Ele andou, precisamos ser parecidos com Ele.

Cientificamente falando, a reflexão da luz acontece quando um raio luminoso atinge uma superfície e é “devolvido” em outra direção. A luz é refletida de maneira fiel quando encontra uma superfície limpa, lisa e alinhada com a fonte da luz.

Quando Jesus diz que somos luz, refletimos a luz dEle em outra direção. As pessoas percebem isso porque veem que somos parecidos com Ele. Porém, precisamos estar em condições de refletir; da mesma forma, precisamos estar limpos, desviando do pecado, pois o pecado distorce a imagem de Deus. Também precisamos estar alinhados com Ele para refletir essa luz aos outros, revelando assim Jesus às pessoas.

Efésios 5:8-9 — “Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade.”

Vivemos tempos de muitos questionamentos.

A LUZ DISSIPA AS TREVAS

Salmo 119:105 — “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho.”

A luz ilumina, dissipa as trevas. Quando estamos em um ambiente escuro e acendemos a luz, conseguimos enxergar tudo ao nosso redor. Assim, sabemos onde podemos andar e onde pisar — essa é a função da luz: iluminar.

O salmista fala de lâmpada para os pés. Quando estamos caminhando no escuro com uma lanterna na mão, nosso foco é direcionado para o chão, onde estamos pisando. Fazemos isso para ver o caminho. Ele então compara a Palavra de Deus a essa lâmpada, que mostra o caminho para que não venhamos a tropeçar. A Palavra nos mostra a verdade — não há mentira nela — por isso andamos em retidão. Não vamos tropeçar, pois ela é capaz de mostrar o caminho certo, e o caminho certo é Jesus.

De outra forma, se estivermos sem luz, é muito fácil tropeçar, se machucar e cair. Sem a luz de Jesus, que é a Sua Palavra, facilmente vamos sofrer, pois não conseguimos enxergar nada.

As trevas cegam nossos olhos. Pensamos que estamos vendo uma coisa, mas na verdade é outra. Não conseguimos enxergar nem discernir o bem do mal. As trevas não nos conduzem a lugar nenhum — ficamos totalmente perdidos e sem direção. Por isso, precisamos da luz, para poder caminhar com tranquilidade, sabendo o que estamos fazendo.

Muitas pessoas estão em trevas. Elas não enxergam porque não têm a luz, que é Jesus. Por isso sofrem, pois suas vidas não estão sendo direcionadas. Estão sendo guiadas por si mesmas, e isso só pode dar errado.

Nós somos luz também. Com nossa vida, nossas atitudes, forma de falar e de nos comportar, mostramos para os outros que há, sim, uma direção — um sentido para a vida — e que é possível viver nesse mundo escuro e mau quando temos a verdadeira luz. Através da pregação do evangelho, acendemos uma lanterna diante das pessoas, e elas começam a enxergar a luz.

Você já percebeu pessoas falando assim: “Quando eu não era crente tudo dava certo, e agora que sou crente só passo por provas”? Já ouviu? Pois é, na verdade, não houve mudança nenhuma — a diferença é que antes ela não enxergava o mal em que vivia, o quanto era escura a sua vida. Agora ela vê, e isso faz toda a diferença. É igual quando estamos doentes: se não formos ao médico, não saberemos o diagnóstico e continuaremos sofrendo; mas se formos, ele nos mostrará o que fazer e como fazer. Assim, estaremos nos tratando e melhorando.

Quando a luz entra em nós, passamos a ver tudo de ruim ao nosso redor, mas isso nos ajuda a nos tratar e a crescer em Cristo. Agora não somos mais enganados — estamos andando na verdade.

A LUZ TAMBÉM É ENERGIA

Atos 13:47 — “Porque assim o Senhor nos ordenou: ‘Eu o coloquei para ser luz para os gentios, para que você leve a salvação até os confins da terra.’”

A luz é usada em painéis solares, fibra óptica (internet) e até em cirurgias a laser. Isso mostra que a luz não só ilumina, mas também transmite poder e propósito.

Toda a vida na Terra depende da luz solar. As plantas fazem fotossíntese, transformando luz em energia química. Sem luz, não haveria calor, nem crescimento, nem cor, nem alimento. Mesmo o ritmo biológico humano depende da luz do dia — por isso temos sono à noite e disposição pela manhã.

Nós não somos somente luz, também transmitimos a luz, ou seja, levamos Cristo até as pessoas. Somos cidadãos do Reino dos Céus; embora estejamos neste mundo, não pertencemos a ele. Já vivemos sob um outro governo, o governo de Deus. Estamos aqui porque ainda estamos vivos, e nossa vida biológica na Terra segue seu fluxo normal; porém, temos um diferencial muito grande: o Espírito Santo habitando dentro de nós. Isso nos faz viver uma experiência totalmente diferente.

Antes mesmo de errar, o Espírito Santo nos avisa; Ele cuida de nós, intercede por nós e nos dá força e capacidade para continuar seguindo, mesmo estando neste mundo e neste corpo.

Agora imagine um mundo sem cristãos, sem pessoas de Deus, sem gente que busca e serve ao Senhor — acho que não conseguimos nem imaginar. Um mundo sem oração, sem adoração, sem intercessão, sem a mensagem do evangelho. Você consegue imaginar?

Jesus nos escolheu para pregar o evangelho em nome dEle. Por nós mesmos somos incapazes, mas Ele nos enviou o Espírito Santo para nos ajudar. Você não acha que Jesus poderia Ele mesmo pregar o evangelho? Não acha que poderia comissionar anjos perfeitos e sem pecado? É claro que poderia. Mas Jesus fez isso justamente para que nós levássemos essa mensagem a outros seres humanos, provando que, mesmo sendo humanos, podemos sim viver uma vida de qualidade com Deus. Podemos ser representantes dEle, podemos levar essa energia vinda dEle para transformar vidas.

Essa é a energia que transforma — é o que recebemos dEle e transmitimos continuamente. Estamos o tempo todo recebendo e transmitindo.

Se não pregamos, se não influenciamos, não estamos transmitindo nada a ninguém. Não basta apenas falar; é preciso dar exemplo de vida. O exemplo é o maior testemunho, mas também precisamos dizer ao mundo quem somos e a quem servimos.

A LUZ É FUNDAMENTAL

“Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.” (João 1:4)

Quando estudamos a física, descobrimos que a luz tem vários tipos, cada uma com uma função específica. O infravermelho, por exemplo, é uma luz que não enxergamos, mas sentimos: ele aquece, traz conforto, estabiliza a temperatura. Isso nos lembra que muitas vezes Deus trabalha em nós de formas que não vemos, mas sentimos — Ele aquece o coração, conforta a alma e estabiliza a vida nos momentos de frio espiritual.

“Aquece-me com o teu amor, pois o teu consolo trouxe alegria à minha alma.” (adaptação de Salmos 94:19)

Já a luz ultravioleta tem a capacidade de revelar o que não se vê a olho nu e de eliminar impurezas invisíveis. Assim também a luz de Deus expõe aquilo que tentamos esconder — não para nos envergonhar, mas para nos purificar. A santidade de Deus funciona como um “UV espiritual”: revela, limpa, trata e cura o que estava oculto.

“Pois tudo o que se manifesta é luz.” (Efésios 5:13)

Há também a luz laser, uma luz extremamente concentrada, precisa e poderosa. O laser pode cortar aço, restaurar visão, cauterizar feridas — ele vai exatamente onde precisa ir. Assim é a ação específica do Espírito Santo em determinados momentos da vida. Há situações em que Deus age como um laser: com precisão, profundidade e intenção cirúrgica — cortando o que precisa ser removido e curando o que precisa ser restaurado.

“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes…” (Hebreus 4:12)

Quando observamos os planetas frios e escuros do universo, percebemos que eles não abrigam vida. A razão é simples: onde não há luz, não há energia; onde não há energia, não há vida. O mesmo acontece espiritualmente: lugares onde a luz de Cristo não entra se tornam ambientes frios, estéreis e sem propósito. Corações sem Deus não produzem fruto, não avançam e não encontram direção. A ausência da luz produz estagnação.

“Porque contigo está o manancial da vida; na tua luz vemos a luz.” (Salmos 36:9)
E assim como a luz física domina qualquer escuridão — sem esforço, sem disputa, simplesmente pelo fato de existir — a luz de Cristo transforma tudo o que toca. Ela não apenas ilumina, mas aquece, revela, purifica, direciona e cria vida. Estar na luz não é apenas enxergar: é ser transformado por ela.

“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a derrotaram.” (João 1:5)

CONCLUSÃO

Como luz, precisamos refletir a verdadeira Luz, que é Cristo. Precisamos iluminar o nosso caminho e também o caminho dos outros por meio da Palavra de Deus — ela é a nossa lanterna, que nos guia em meio à escuridão. E transmitimos essa luz através do agir e do poder do Espírito Santo em nossas vidas.

Todos nós estamos em um processo de crescimento. Se hoje você ainda não consegue refletir Jesus como gostaria, não se preocupe — a partir de agora você pode começar a mudar isso. Jesus está oferecendo a nós uma nova esperança. Esqueça o que passou e decida hoje: vamos ser luz!

A perfeição só será alcançada quando Jesus voltar. Enquanto isso, seguimos aprendendo a ser luz, e ao mesmo tempo transmitindo aquilo que já aprendemos. Que possamos ser um referencial de vida — uma luz que inspira, guia e transforma pessoas ao nosso redor.

Provérbios 4:18 — “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.”

Não podemos nos esconder. Precisamos ser vistos, precisamos nos relacionar com pessoas, precisamos ser luz! A luz nunca é colocada em um lugar escondido, mas sempre em um ponto alto — sobre a mesa, no alto de um poste ou sobre um monte — para que possa cumprir seu propósito e brilhar ao máximo.

Mateus 5:14-15 “Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E também ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa.”

Hoje, o Senhor está nos chamando para acender novamente a chama da Sua luz em nós. Talvez o pecado, o desânimo, ou as lutas da vida tenham tentado apagar o brilho que um dia resplandeceu no seu coração. Mas Jesus, a verdadeira Luz do mundo, está aqui — pronto para reacender em você o fogo da fé, o brilho da esperança e a força do amor.

Não permita que as trevas te envolvam. Não esconda a luz que Deus colocou em você. Seja luz na sua casa, na sua escola, no seu trabalho, entre seus amigos — onde quer que você esteja.

Porque quando a luz de Cristo brilha em nós, as trevas recuam, corações são alcançados e vidas são transformadas.

Malaquias 4:2 “Mas para vocês que temem o meu nome, nascerá o Sol da Justiça, trazendo cura em suas asas…”

Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br

EU SOU O BOM PASTOR

“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” 
João 10:11

Jesus começa se apresentando como o “bom pastor” e declara que o bom pastor dá a vida pelas ovelhas — exatamente o que Ele fez ao entregar-se por nós para nos salvar.

Ao usar essa imagem, Jesus não está dizendo que somente Ele cuida bem do rebanho e que todos os demais pastores são mercenários. Naquele tempo, o dono do rebanho realmente amava e protegia suas ovelhas, porque eram suas. Porém, os empregados — que cuidavam apenas por salário — não tinham o mesmo amor. Diante do perigo, fugiam, porque não tinham verdadeiro compromisso com as ovelhas.

Da mesma forma, hoje existem pastores que seguem o coração de Cristo: amam as ovelhas de Jesus, protegem, ensinam e conduzem todos para o verdadeiro dono do rebanho, que é o Senhor. Se isso não fosse possível, Jesus não confiaria sua igreja a pastores terrenos.

Existem pastores fiéis e também falsos pastores. Mas uma verdade permanece inabalável: o supremo Pastor é Jesus, e somente Ele é o dono, protetor e guia perfeito de suas ovelhas.

1 – ELE É O BOM PASTOR

¹ O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta.
² Em verdes pastagens me faz repousar e me conduz a águas tranqüilas;
³ restaura-me o vigor. Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome. 
Salmos 23:1-3

Jesus, de fato, é o bom Pastor. Quando Ele diz “Eu sou”, faz uma conexão direta com o nome de Deus revelado a Moisés: “Diga a Faraó que Eu Sou te enviou.” Assim, Jesus não é apenas mais um pastor entre muitos; Ele é o Supremo Pastor, aquele prometido desde o princípio, o enviado de Deus para cuidar de Seu povo.

A palavra usada no texto grego é kalós, que significa “bom”, mas também “belo”, “excelente”, “genuíno”, “modelo perfeito”. Ou seja, Jesus é o pastor perfeito. Ele é bom em essência, não apenas em atitudes. Nós, seres humanos, podemos praticar ações boas, mas não somos totalmente bons em nossa natureza. Já Jesus é bom verdadeira e completamente.

Nos tempos bíblicos, o pastor vivia com as ovelhas. Dormia ao lado delas, as defendia com a própria vida, cuidava dos ferimentos, buscava as que se perdiam e as conduzia a pastagens verdejantes e águas tranquilas. Esse era o trabalho do pastor — e ele fazia com amor. Da mesma forma, nosso Supremo Pastor sempre cuidou de nós.

As ovelhas são animais dóceis e extremamente dependentes; têm grande dificuldade de sobreviver sozinhas. Precisam de um guia para protegê-las, conduzi-las a lugares seguros e mostrar onde há alimento. Possuem pouca noção de perigo e não percebem facilmente seus predadores. Além disso, se assustam e se dispersam com facilidade.

Não têm mecanismos fortes de defesa: não correm rápido, não possuem presas, nem garras, nem camuflagem. São vulneráveis.

Assim também nós. Como ovelhas, precisamos de um Pastor que cuide de nós. Jesus faz isso: enfrenta tudo por nós, nos ajuda a enxergar as tentações e os perigos do mundo, nos alimenta com Sua Palavra e nos sustenta com Seu grande amor.

A imagem do Pastor e das ovelhas descreve perfeitamente nossa realidade como rebanho de Jesus. Que possamos depender de Cristo com a mesma entrega com que as ovelhas dependem de seu pastor.

   
2. ELE DEU A VIDA


¹⁷ Por isso é que meu Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la.
¹⁸ Ninguém a tira de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade. Tenho autoridade para dá-la e para retomá-la. Esta ordem recebi de meu Pai”. 
João 10:17,18

Jesus se entregou por nós na cruz. Morreu a pior morte da época e o fez por livre e espontânea vontade. Ele quis. Não foi por obrigação, nem para “provar algo ao inimigo”. Ele se entregou por amor, e isso é grandioso. Ele nos ama de verdade. Ele foi capaz de sofrer até a morte por nós. Ele não precisava fazer isso, mas fez — por amor.

O mais impressionante é que Ele sabia que nós pecaríamos, que muitas vezes não obedeceríamos e que, em vários momentos, O entristeceríamos. Mesmo assim, Ele não desistiu de nós. Mesmo olhando nossas fraquezas, mesmo sabendo que não corresponderíamos plenamente ao Seu amor… Ele se entregou.

Quem faria isso? Dar a vida não é simples. Deixar Sua glória, Seu poder e Sua autoridade para se humilhar, tornando-se humano, vivendo neste mundo sujeito à fome, à dor e às decepções — essa é a maior prova de amor que já existiu.

Em João 10, Jesus compara o Bom Pastor ao mercenário. O mercenário trabalha apenas por dinheiro; não arrisca sua vida, não protege o rebanho. Mas o Bom Pastor cuida por amor e, por amor, entrega a vida.

Nos tempos antigos, havia pastores que literalmente morriam defendendo suas ovelhas de lobos, ursos e ladrões. Eles ficavam expostos ao perigo, sempre vigilantes, preparados para qualquer ataque. Era arriscado, mas eles amavam suas ovelhas e não queriam perder nenhuma.

Jesus fez ainda mais. Ele enfrentou Satanás, o pecado e a morte por nós. Mas ninguém tirou Sua vida; Ele a entregou voluntariamente. E fez isso “para nos levar a Deus”. Como está escrito: “Conhecemos o amor nisto: que Cristo deu a sua vida por nós.” (1 João 3:16)

A morte era para nós. Fomos nós que rompemos com Deus; a culpa era nossa. Não tínhamos mais o direito de ser chamados filhos; fomos nós que escolhemos viver longe Dele. Contudo, Deus nos chamou de volta para Si e abriu uma nova oportunidade para todo aquele que crer em Jesus e receber o Seu sacrifício como suficiente para a salvação.

Agora é o momento de responder a esse amor, entregando nossa vida a Ele. Como fazemos isso? Deixando que Ele seja nossa maior prioridade. Ouvindo Sua voz. Permitindo que Ele governe sobre nós. Isso é abrir mão do nosso “eu” — de vontades, desejos e caminhos — para viver para Aquele que deu a vida por nós. E realmente: é o mínimo que podemos fazer.


3 – CONHECE AS OVELHAS


“Eu conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem.”
João 10:14

Pastores comuns, seres humanos, não são capazes de conhecer suas ovelhas de forma integral. Eles conhecem bastante, amam, observam e acompanham, mas sempre ficarão limitados. Porém, o Bom Pastor conhece completamente cada uma de suas ovelhas. Jesus é o Autor da vida; foi Ele quem nos criou. Ele conhece cada detalhe do nosso ser, sonda o nosso coração e sabe nossas intenções mais profundas. Pastores humanos fazem o seu melhor para ajudar cada ovelha, mas por serem limitados, falham em alguns momentos. Já o Bom Pastor nunca falha — não há barreiras entre Ele e Suas ovelhas.

As ovelhas também conhecem o seu pastor. Na cultura judaica, cada ovelha tinha um nome, uma identidade. O pastor reconhecia sua voz, seu cheiro e até seu modo de caminhar. Sabia qual era forte, fraca, ansiosa ou teimosa. Ele sabia exatamente o que cada uma necessitava.

Há um detalhe impressionante sobre o reconhecimento das ovelhas: mesmo quando dois rebanhos se misturavam, bastava o pastor chamar que suas ovelhas o seguiam. Elas reconheciam a voz do seu pastor — e ignoravam completamente a voz de estranhos.

Da mesma forma, as ovelhas do Bom Pastor Jesus não seguem outras vozes. Elas sabem discernir a voz de Cristo. As vozes do mundo trazem confusão, medo, ansiedade e toda espécie de engano. Mas a voz de Jesus traz paz, direção e segurança. Contudo, só consegue reconhecer a voz de Cristo quem mantém intimidade com Ele. Sem intimidade, a ovelha se perde facilmente e corre o risco de sair do rebanho.

Paulo escreveu a Timóteo dizendo: “O Senhor conhece os que lhe pertencem.” (2 Timóteo 2:19).
Esse nível de intimidade — conhecer e ser conhecido — não acontece apenas nos cultos de fim de semana. Ele precisa ser construído diariamente. Todos os dias devemos falar com o nosso Pastor, buscá-lo em oração e ouvir Sua voz por meio da Palavra. Se Jesus é a própria Palavra (João 1:1,14) e não conhecemos a Palavra, então não O conhecemos verdadeiramente.

Ninguém pode afirmar que conhece Jesus se não conhece o que Ele diz. Muitos cristãos têm falhado nessa missão: não leem a Bíblia com regularidade, não oram e não buscam profundidade. Não é possível conhecer o Bom Pastor sem relacionamento com Ele.

Que hoje possamos nos aproximar mais de Jesus. Ele já nos conhece perfeitamente — agora nós precisamos crescer em conhecê-Lo, ouvindo Sua voz através da Palavra e do Espírito Santo.


CONCLUSÃO


Jesus é o Bom Pastor — não apenas por aquilo que faz, mas por quem Ele é. Ele nos guia, Ele nos guarda, Ele nos alimenta, Ele nos protege e Ele nos ama com perfeição. Diferente de qualquer pastor humano, Ele nunca falha, nunca perde uma ovelha por descuido e nunca deixa de se importar. Ele é o Pastor prometido, o Pastor perfeito, o Pastor eterno.


Ele deu a vida por nós. Seu sacrifício não foi simbólico, nem imposto, nem acidental. Foi voluntário, consciente e motivado por amor. A cruz é a prova definitiva de que somos amados, desejados e buscados por Deus. O Pastor morreu para que a ovelha vivesse — e não há amor maior do que esse.


E além de nos guiar e nos salvar, Ele nos conhece profundamente. Nada em nós é oculto ao Bom Pastor. Ele conhece nossas dores, nossos medos, nossas quedas, nossas intenções e até as lutas que ninguém vê. E apesar de tudo isso, Ele continua chamando nosso nome, convidando-nos para perto, trazendo-nos de volta quando nos afastamos e cuidando de cada detalhe da nossa caminhada.


Diante de um Pastor assim, a resposta que Ele espera é simples, mas profunda: seguir Sua voz. Vivemos em um mundo cheio de vozes, cheio de distrações e cheio de caminhos que prometem segurança mas levam à morte. Somente a voz do Pastor conduz à vida. Somente ao lado Dele encontramos descanso, direção, proteção e propósito.

Por isso, que hoje possamos entregar novamente nossa vida ao Bom Pastor. Que possamos depender Dele, confiar Nele, buscá-Lo diariamente e permanecer no rebanho. Que nossa fé seja renovada pelo cuidado, pelo amor e pela presença constante de Cristo.

E que, como ovelhas que conhecem o Pastor, possamos dizer como Davi:

“O Senhor é o meu Pastor; nada me faltará.”
Salmo 23:1

Assim como o Bom Pastor nos buscou, agora Ele nos envia para buscar outros. Quem foi alcançado pelo cuidado de Jesus não pode guardar isso apenas para si. O rebanho cresce quando cada ovelha chamada passa a chamar outras, quando cada discípulo faz novos discípulos. Há muitas ovelhas sem pastor, perdidas, feridas e enganadas pelas vozes do mundo — e Jesus quer alcançá-las através de nós. Que não sejamos apenas ovelhas cuidadas, mas também seguidores obedientes que anunciam o Evangelho, estendem as mãos, caminham junto e ajudam outros a ouvir a voz do Pastor. Evangelizar é amar; discipular é cuidar. Se Ele deu a vida por nós, podemos dar nosso tempo, nossa palavra e nosso testemunho para que outros também encontrem o Bom Pastor.

 

Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br

O BOM SAMARITANO

“O que está escrito na Lei? “, respondeu Jesus. “Como você a lê? ” Ele respondeu: ” ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’”.
Lucas 10:26,27

Essa parábola surge a partir de um questionamento feito por um perito da lei, que queria colocar Jesus à prova. Ele perguntou: “Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna?” A intenção daquele mestre da lei não era simplesmente tirar uma dúvida, mas testar Jesus, esperando encontrar alguma contradição em suas palavras.

Jesus então faz duas perguntas ao perito da lei.
A primeira é: “O que está escrito na Lei?” — uma pergunta teológica, que exige que o homem responda exatamente conforme o texto bíblico.
A segunda é: “Como você a lê?” — uma pergunta interpretativa, que exige explicar como ele compreende aquilo que está escrito.

O mestre da lei responde apenas a primeira parte, citando corretamente o mandamento:
“Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento; e ame o seu próximo como a si mesmo.”
Ele oferece uma resposta teológica exata, porém não apresenta sua interpretação — apenas repete o texto.

Jesus, então, afirma: “Você respondeu corretamente. Faça isso e viverá.”
Teologicamente, a resposta estava perfeita; porém, aquilo não gerou o debate que o perito da lei queria provocar. Então ele insiste, perguntando: “E quem é o meu próximo?”
A intenção dele era tentar pegar Jesus em algum deslize interpretativo, criando espaço para acusação.

Diante disso, Jesus não responde com um argumento teológico complexo, mas com uma parábola simples e profundamente prática — uma história que atinge diretamente o ponto fraco da religiosidade judaica daquele período: a forma como tratavam as pessoas e como viviam sua fé na prática.

Na parábola, Jesus menciona três personagens: o sacerdote, o levita e o samaritano. Vamos analisar cada um deles para extrair ensinamentos que apontam para uma fé cristã verdadeira e prática.

1 – Verdadeira religião

O primeiro personagem mencionado por Jesus é o sacerdote. Para o judeu que ouvia essa parábola, o sacerdote representava o mais alto nível de devoção e responsabilidade espiritual. Ele era um descendente direto de Arão, da tribo de Levi, e tinha funções sagradas dentro do templo, tais como: oferecer sacrifícios pelo povo, cuidar do altar e dos utensílios sagrados, ensinar a Lei, interceder espiritualmente pela nação e mediar a adoração entre o povo e Deus. Era alguém consagrado, separado para o serviço do Senhor — um símbolo vivo de santidade e autoridade espiritual.

Naturalmente, esperava-se que o sacerdote tivesse sensibilidade espiritual e amor ao próximo; que prezasse pela justiça e pela misericórdia. Ele conhecia profundamente as Escrituras e sabia exatamente o que a Lei exigia. No entanto, ao ver o homem caído, ele não faz absolutamente nada.

Talvez tenha pensado que o homem estivesse morto, o que o tornaria impuro, conforme Números 19:11: “Quem tocar num cadáver humano ficará impuro durante sete dias.” Ou talvez estivesse com pressa para cumprir seus deveres religiosos. Mas nenhuma dessas desculpas se sustenta, porque a essência da Lei é o amor, e a própria Lei declara: “Ame o seu próximo como a si mesmo.” Se ele realmente aplicasse a Lei, teria se colocado no lugar do homem ferido e o ajudado.
Quem realmente conhece a Deus não abandona uma pessoa à beira do caminho.

Às vezes somos exatamente assim: a indiferença, a falta de empatia ou até mesmo os nossos “deveres religiosos” se tornam uma desculpa para não amar. Não podemos agir como o sacerdote que deveria ter ajudado, mas preferiu justificar sua falta de compaixão.

“A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo.”
Tiago 1:27

2 – Verdadeira adoração

O segundo personagem da parábola é o levita. Assim como o sacerdote, o levita também pertencia à tribo consagrada ao serviço do Senhor. Embora não fossem sacerdotes, tinham funções essenciais dentro do templo: cuidavam da música e do louvor, da guarda do santuário, da limpeza, da manutenção e de todo o suporte litúrgico. Eram servos do templo, profundamente envolvidos na adoração e no culto.

Os levitas eram conhecidos por auxiliar os sacerdotes em tudo o que dizia respeito ao culto; conduzir e proteger os momentos de adoração; servir na música e no louvor; zelar pelos detalhes do templo; e ensinar aspectos práticos da Lei ao povo.

Assim, o levita representava alguém familiarizado com a adoração, alguém que vivia no ambiente do templo, conhecia bem as Escrituras e estava sempre presente no culto — o tipo de pessoa que “está sempre na igreja”, sempre servindo e envolvida com as atividades da casa de Deus.

Por trabalhar diretamente com o louvor e o serviço, esperava-se que o levita fosse alguém de coração sensível, cheio de compaixão e misericórdia — afinal, a verdadeira adoração não é apenas cântico, mas vida diante de Deus.

No entanto, Jesus mostra que o levita fez exatamente a mesma coisa que o sacerdote: chegou perto, viu o homem caído, analisou a situação… e passou de largo. Talvez tivesse as mesmas desculpas que o sacerdote, mas nenhuma delas se sustenta. Ele sabia cantar letras que falavam da bondade de Deus, mas não praticou essa bondade. Ele conhecia canções sobre misericórdia, mas não teve misericórdia.

É um cenário triste — mas muitas vezes fazemos o mesmo. Servimos na casa do Senhor, choramos durante os louvores, levantamos as mãos, nos emocionamos e até declaramos coisas lindas nas músicas… mas, na prática, queremos servir apenas dentro da igreja.

Lá fora, deixamos o mundo se virar. Não nos colocamos à disposição para ajudar nossos vizinhos, parentes, amigos de trabalho ou colegas de escola. E o que será que essas pessoas pensam de nós? Que tipo de testemunho estamos deixando?

Precisamos refletir profundamente e entender que nosso serviço a Deus não está restrito ao templo. Somos chamados para ser luz e sal em todos os lugares — não apenas na igreja. Fomos enviados para fazer a diferença no mundo, e não apenas dentro das quatro paredes do culto.

3 – O verdadeiro amor

O terceiro personagem apresentado por Jesus é o samaritano. Para os judeus, esse detalhe era chocante. Os samaritanos eram vistos como hereges, impuros e inimigos históricos. Eram desprezados, rejeitados e considerados espiritualmente inferiores. Ninguém esperaria que um samaritano fosse o herói de uma história contada por um mestre judeu.

Mas Jesus faz questão de mostrar que o verdadeiro amor pode surgir de onde menos se espera — e que Deus não se impressiona com títulos, funções ou tradições, mas com atitudes.

Aos olhos dos judeus, o samaritano “não era nada”: não tinha posição religiosa, não tinha honra diante do sacerdote ou do levita e ainda era criticado por sua origem. Porém, foi ele quem exerceu a verdadeira religiosidade e a verdadeira adoração.

Ele fez tudo o que precisava ser feito, sem esperar nada em troca. Não buscou reconhecimento, pois o homem estava quase morto e nem poderia agradecê-lo. Investiu do seu próprio dinheiro, se responsabilizou pelos cuidados e ainda prometeu voltar para cobrir o restante das despesas.
Ele cumpriu o mandamento de Deus com sinceridade, sem reservas, sem segunda intenção — e deu um exemplo extraordinário de amor ao próximo.

É assim que precisamos ser. Muitas vezes arrumamos diversas desculpas para não fazer a vontade de Deus. Achamos que somente “os salvos” precisam de nós e que as pessoas ao nosso redor não. Temos conhecimento de Deus, estudamos a Bíblia e o Espírito Santo habita em nós — e mesmo assim, tantas vezes não usamos de misericórdia com quem cruza o nosso caminho.

E para ir ainda mais fundo: o samaritano ajudou alguém que ele nem conhecia, e que possivelmente era judeu — alguém que, culturalmente, poderia até o desprezar.

Então a pergunta é: O que temos feito com tudo aquilo que aprendemos de Deus nos cultos, nas escolas bíblicas e nos pequenos grupos?
De que adianta tanto conhecimento se não se transforma em amor prático?

Aplicação pessoal

A pergunta final que Jesus faz é: “Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”
A resposta do perito da lei não poderia ser outra: “Aquele que teve misericórdia dele.”
Então Jesus encerra com uma das frases mais desafiadoras do Evangelho: “Vá e faça o mesmo.”

Jesus deixa claro que a vida eterna não se revela em discursos, teorias ou conhecimento acumulado, mas em amor praticado. O evangelho não é um abrigo confortável onde entramos para ficarmos protegidos dentro de quatro paredes, desfrutando de ar-condicionado, cadeiras acolchoadas e um clima agradável. O evangelho é uma missão.

A obra de Deus sempre nos envia para fora: Fazer discípulos, alcançar vidas, anunciar a verdade, trazer pessoas para perto de Cristo.

O chamado não é para que apenas nós sejamos edificados; é para que outros sejam alcançados por meio de nós.

E se você estivesse dentro dessa parábola? Já parou para pensar nisso? Se Jesus pudesse acrescentar o seu nome na história, descrevendo você como alguém que passa ao lado do homem ferido… qual seria a sua atitude?

Será que você se pareceria com o sacerdote — ocupado demais com suas funções religiosas?
Com o levita — envolvido com sua rotina espiritual, mas distante da dor real das pessoas?
Ou com o samaritano — que permitiu que a compaixão o movesse, mesmo diante de alguém que talvez nem gostasse dele?

A verdade é que há pessoas caídas ao nosso redor todos os dias: machucadas, confusas, feridas emocionalmente, espiritualmente e até fisicamente. E Deus nos colocou perto delas não por acaso.

Somos representantes de Jesus no mundo.
Somos chamados para amar, acolher, servir e conduzir ao caminho da salvação.

Conclusão

Que o Senhor abra os nossos olhos para enxergar a missão que está diante de nós.
Que não vivamos uma fé apenas ritual, restrita ao templo, aos cultos e às funções.

Que o nosso coração seja como o do samaritano:
sensível, disponível, generoso, movido por compaixão.

Que possamos obedecer ao chamado de Jesus:
“Vá e faça o mesmo.”

Deus abençoe a sua vida.

Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br

O FARISEU E O PUBLICANO

“Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”. 
Lucas 18:14

A parábola do fariseu e do publicano começa logo depois que Jesus termina a parábola da viúva persistente. É interessante perceber a sequência: primeiro, Jesus fala sobre a necessidade de perseverar na oração. Na parábola da viúva, um juiz injusto não queria julgar a causa dela, mas, por causa da insistência, acabou atendendo. Jesus mostra, com isso, que se até um juiz injusto responde à persistência, muito mais Deus, que é justo e misericordioso, ouvirá aqueles que clamam com fé.
Em seguida, Jesus conta a parábola do fariseu e do publicano. Ele faz isso porque havia pessoas ali que confiavam em si mesmas, achando que eram justas.

Assim, vemos que as duas parábolas se complementam: a primeira ensina a persistir na oração, e a segunda ensina a orar com humildade, reconhecendo que a justiça verdadeira vem de Deus e não de nós mesmos.

Dois homens subiram ao templo para orar: um fariseu e um publicano. O fariseu era um homem religioso, confiante em si mesmo e cheio de orgulho; ele representa a autojustiça e o orgulho.

Já o publicano, cobrador de impostos e considerado pecador, se aproxima com humildade; ele representa a humildade e a dependência da graça de Deus.

 1 –  CONFIANÇA NA PRÓPRIA JUSTIÇA
 

“O fariseu, em pé, orava no íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’.” Lucas 18:11,12
 
O fariseu orava em pensamento, e sua oração era de gratidão, mas, ao mesmo tempo, uma gratidão acompanhada de um orgulho exagerado, marcada por um sentimento de superioridade em relação aos outros.

O orgulho é uma emoção humana universal, ligada à sensação de satisfação por uma conquista, habilidade ou característica pessoal.

Quando o orgulho é vivido de forma positiva, ele funciona como uma recompensa por um esforço pessoal, sem comparação com os outros. Esse tipo de sentimento pode ajudar, pois aumenta a autoestima e motiva a pessoa a buscar novos desafios e conquistas, de maneira saudável.

“Examine cada um a sua própria obra, e então terá motivo de gloriar-se unicamente em si, e não em outro.”
(Gálatas 6:4)

No caso do fariseu, porém, esse sentimento já havia se transformado em arrogância e soberba. Isso gerou nele isolamento espiritual e dificuldade de reconhecer seus próprios erros. Ele não se enxergava como alguém necessitado de mudança. Ao apresentar suas obras diante de Deus, desenvolveu um sentimento de autojustificação. Dessa forma, não conseguia ser humilde nem reconhecer sua fragilidade. Parecia criar uma defesa contra qualquer sentimento de fraqueza, pois não queria demonstrar vulnerabilidade.

O fariseu se compara a ladrões, corruptos e adúlteros, mas também se compara ao publicano que está ao seu lado. Para se justificar, apoia-se em suas próprias obras: jejua duas vezes por semana e dá o dízimo de tudo quanto ganha. Essas práticas o colocam, em sua visão, em uma posição superior em relação às outras pessoas.

O grande problema do orgulhoso é achar que é melhor do que todos. Ele não consegue enxergar que também é humano, que pode ser bom em algumas áreas, mas limitado em outras. Por isso, não valoriza os outros, torna-se cego para o que acontece ao seu redor e passa a enxergar apenas a si mesmo. E há algo ainda mais grave: ele acredita que o que faz agrada mais a Deus do que as atitudes dos outros.

O que torna essa atitude ainda mais arrogante é o fato de essa oração ser feita em forma de gratidão. Ele estava completamente cego espiritualmente. Ao dizer: “não sou como os outros homens”, coloca-se acima de todos e se enxerga como alguém perfeito, que cumpriu todas as suas obrigações. No entanto, não somos perfeitos diante de Deus. Não conseguimos cumprir tudo o que deveríamos cumprir. Somos todos limitados.

Eu conheço pessoas assim. Elas chegaram a um nível de arrogância em que todos ao seu redor parecem ter sérios defeitos, mas elas não enxergam os próprios. Tornaram-se insensíveis. Já não analisam mais o contexto do outro e, por não analisarem, julgam com severidade. Para elas, todos agem sempre com algum sentimento de maldade; as pessoas nunca são boas, estão sempre querendo fazer o mal contra elas.

Pessoas assim observam a vida dos outros com o objetivo de criticar e não conseguem mais enxergar pureza ou inocência nas atitudes alheias. O excesso de orgulho gera insensibilidade.

Meu irmão, se você só enxerga maldade no que os outros fazem; se, para você, todos estão sempre te julgando; se você acredita que apenas o que você faz é o correto e que todos os outros estão errados; se você vive julgando as pessoas… cuidado. Você pode estar caminhando pelo mesmo caminho do fariseu.

“Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” Tiago 4:6

 

2 –  CONFIANÇA EM DEUS

 
“Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’.” Lucas 18:13

Vamos agora analisar o publicano: a primeira atitude dele é de reverência ao Senhor; ele permanece à distância. A segunda é de temor: ele nem ousava levantar os olhos para o céu. A terceira é de humilhação: “Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador”.

Veja que ele admite que é pecador, e o que ele diz vem do coração. Ele se sente constrangido em chegar diante de Deus, não se considera digno, vê quem realmente é. Não encontra obras que o possam justificar, mas se derrama diante de Deus.

Lembre-se: o fariseu orava para si mesmo, em silêncio, no seu íntimo. Já o publicano batia no peito, tomado por desespero. Para alguns, aquilo poderia até parecer exagero ou teatro, mas não era encenação. Ele simplesmente não conseguia se conter. Seu coração estava quebrantado, e o seu desespero pela graça de Deus era maior do que qualquer preocupação com a aparência.

O publicano é humilde. A humildade começa quando o homem reconhece quem ele é diante de Deus. Ele não apresenta suas obras, não lista seus acertos e não tenta impressionar. Sabe que não tem argumentos, apenas necessidade. Por isso, não pede reconhecimento, pede misericórdia.

Muitas pessoas têm um conceito errado sobre humildade. Acham que ser humilde é não ter condições, não ter valor ou se diminuir diante das pessoas. O humilde não vive de ilusão. Ele conhece seu potencial, mas sabe também que é limitado e totalmente dependente de Deus. Ele não finge humildade, não se esconde atrás de uma aparência; é sincero. Não se faz de humilde, é humilde de verdade.

O publicano se humilhou diante de Deus porque sabia que nada do que pudesse fazer seria suficiente para se justificar. Ele entendia que suas obras não eram perfeitas e que não poderia se aproximar de Deus ou fazer uma oração sem antes clamar por misericórdia.

É impossível se aproximar de Deus sem humildade e temor. Nossas orações não são ouvidas quando nos comparamos com os outros e nos colocamos em posição de superioridade. É necessário reconhecer nossas fragilidades.
Se oramos muito, jejuamos, conhecemos bem a Bíblia ou trabalhamos intensamente na igreja, tudo isso precisa ser feito por amor a Deus e ao próximo, e não para buscar reconhecimento diante de Deus ou para mostrar aos outros aquilo que fazemos.


3 – QUEM FOI PARA CASA JUSTIFICADO?


“Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”. Lucas 18:14

Jesus faz uma afirmação clara: quem voltou para casa justificado foi o publicano, e não o fariseu. Se nós estivéssemos observando aqueles dois homens orando naquele momento da história, talvez pensássemos que o fariseu sairia justificado, pois, aos nossos olhos, ele pareceria um homem religioso e correto diante de Deus. Provavelmente concluiríamos que ele merecia. Mas, como não conhecemos o que se passa no coração das pessoas, julgamos pela aparência. Jesus, porém, não julga pela aparência.

Para nos livrarmos do orgulho, da arrogância ou da soberba, precisamos, primeiro, reconhecer a fonte e não apenas o resultado. Podemos, sim, ser bons, competentes e dedicados — isso é correto e necessário. Mas precisamos perguntar: de onde veio tudo isso? Não foi Deus quem nos criou e nos deu capacidade para realizar essas coisas? Reconhecer a fonte é essencial.

O segundo ponto é não se comparar com os outros. A comparação é altamente prejudicial. Precisamos entender que Deus concedeu dons e habilidades de forma individual. Cada pessoa tem valor e capacidades próprias. Por isso, mesmo sendo bons em algo, sempre haverá pessoas que são muito boas ou até melhores do que nós. Estamos constantemente ensinando e aprendendo. Somos diferentes, e essa diferença nos complementa.

O terceiro ponto é não se promover o tempo todo. Quem é realmente bom não precisa se exaltar continuamente. Provérbios 27:2 diz:  “Seja outro o que te louve, e não a tua própria boca.”

Isso é muito significativo. As pessoas reconhecerão quem você é, e isso basta. Quando isso acontecer, agradeça, sorria, mas, dentro de você, glorifique a Deus, que foi quem lhe deu tudo isso.

O quarto ponto é ser ensinável. Pessoas orgulhosas não são ensináveis, porque acreditam que já sabem tudo. Pensam que só podem aprender com grandes mestres — e, mesmo assim, muitas vezes desconfiam. Não acreditam que pessoas simples ou comuns possam ensinar algo. Pessoas não ensináveis não crescem; ficam estagnadas no próprio conhecimento.

Por isso, examine-se. Faça como o salmista em Salmos 139:23–24: “Sonda-me, ó Deus…”

Busque compreender quem você realmente é, reconheça suas habilidades e também seus defeitos, para que possa corrigir o que precisa ser ajustado e avançar cada vez mais no que faz bem. Não se compare nem tente ser melhor do que os outros. Procure ser melhor do que você mesmo a cada dia.

Tenha comunhão com Deus e não se incomode com a comunhão dos outros. Ser espiritual não é apenas jejuar muitas vezes por semana, dar o dízimo ou fazer muitas atividades para Deus. Tudo isso é importante e necessário, mas ser espiritual é viver com um coração quebrantado, cheio de compaixão, temor e dependência, buscando a Deus diariamente para estar cada vez mais perto dEle.

CONCLUSÃO


Diante dessa parábola, Jesus nos coloca frente a uma escolha espiritual muito clara: o caminho do fariseu ou o caminho do publicano. Um confiava em si mesmo, em suas obras e em sua aparência religiosa; o outro confiava unicamente na misericórdia de Deus. Um saiu do templo cheio de si, o outro saiu de casa justificado.

A grande lição não é quem orou mais bonito, quem jejuou mais vezes ou quem parecia mais correto aos olhos humanos. A grande lição é que Deus não se impressiona com aparência, mas responde a corações quebrantados. O fariseu subiu ao templo exaltando a si mesmo; o publicano desceu para casa exaltado por Deus.

Essa parábola nos convida a examinar o nosso coração. Não para nos condenar, mas para nos alinhar. Porque, muitas vezes, podemos estar fazendo as coisas certas, da maneira errada, com o coração errado. Deus não rejeita boas obras, mas resiste a corações orgulhosos. Ele não justifica quem confia em si mesmo, mas quem depende da Sua graça.

Peça a Deus que:


Revele áreas de orgulho escondidas no seu coração
Te ajude a parar de se comparar com os outros
Te ensine a reconhecer a graça em tudo o que você é e faz
E faça um exercício prático:
Elogie alguém sinceramente, sem se comparar.
Aprenda algo com alguém mais simples que você.
Sirva sem precisar ser visto.

 

Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br

O SEMEADOR


“Mas as que caíram em boa terra são os que, com coração bom e generoso, ouvem a palavra, a retêm e dão fruto, com perseverança”. 
Lucas 8:15

A parábola do semeador nos mostra quatro tipos de corações que recebem a Palavra de Deus de maneiras diferentes. Para entender os mistérios do Reino de Deus, precisamos de algo a mais: é preciso andar com Jesus.
Andar com Jesus não é somente frequentar uma igreja, mas ter uma vida devocional. Todos os dias precisamos ter contato com Ele, pensar n’Ele, ouvir a voz do Espírito Santo e segui-la. É aceitar uma missão, é pregar o evangelho e assumir uma nova identidade, um novo estilo de vida.

Esta parábola nos ensina que não basta somente ouvir a Palavra de Deus; é preciso retê-la em nosso coração e ter uma vida prática diária alinhada com ela.

Que possamos, a cada dia, ser discípulos de Jesus, e não apenas crentes que vão à igreja e realizam atividades normais de uma igreja. Ser discípulo é ser cópia de Cristo, é reproduzir vida e fazer discípulos.

“Um semeador saiu a semear a sua semente…” Assim começa a parábola que Jesus está contando. Um semeador, alguém simples, normalmente um camponês, muitas vezes o próprio dono da terra, que dependia totalmente da colheita para sobreviver. Não era uma profissão glamourosa, mas essencial.

Ele saía com sua bolsa (alforje) cheia de sementes e ia lançando pelo campo. Mas, à primeira vista, pode parecer estranho imaginar que um semeador, alguém acostumado com sua atividade, lançasse sementes em qualquer lugar. Na nossa lógica atual, pensaríamos que primeiro o solo deveria ser preparado para depois receber a semente.


Porém, no tempo de Jesus, muitas vezes a semeadura acontecia antes da aragem, e o semeador lançava a semente confiando que parte dela encontraria boa terra. Por isso, parte da semente caía no caminho, parte em solo pedregoso e parte entre espinhos.

A explicação se torna clara quando entendemos que o solo representa os corações. Nesse caso, o crescimento da semente não está no controle do semeador, mas no coração de quem recebe a mensagem. Aliás, quem recebe a semente precisa acolhê-la com amor e cuidado, permitindo que ela cresça dentro de si.

A RESPONSABILIDADE DO SEMEADOR


O semeador é aquele que tem a responsabilidade de lançar a semente. Ele precisa fazer isso para que ela brote e cresça. Uma semente carrega em si o potencial de gerar uma nova planta, que crescerá e produzirá novas sementes.

No contexto da parábola, o semeador somos todos nós, em quem a Palavra já foi plantada, cresceu e agora está sendo lançada no campo, que é o mundo. Precisamos lançar a semente, independentemente do tipo de terra. Fomos chamados para semear.

Nosso papel não é fazer a semente crescer, mas lançar, regar e cuidar; quem dá o crescimento é Deus.

⁶ Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.
⁷ Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.
⁸ Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho.
⁹ Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus. 
1 Coríntios 3:6-9

OS TIPOS DE SOLOS

  Como falamos, os tipos de solo representam os corações, ou seja, a forma como as pessoas recebem a Palavra. Essa parábola é explicada pelo próprio Jesus, o que nos dá segurança para interpretá-la corretamente. Vamos analisar cada tipo de solo.

1. JUNTO AO CAMINHO


“Um semeador saiu a semear a sua semente e, quando semeava, caiu alguma junto do caminho, e foi pisada, e as aves do céu a comeram;” 
Lucas 8:5

“E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que não se salvem, crendo;” 
Lucas 8:12

Esse é o primeiro tipo de solo. Aqui estão as pessoas que ouvem a Palavra, mas não a acolhem no coração. A Palavra até chega, mas não penetra, não cria raízes, não gera transformação.

Jesus é claro ao explicar que, nesse caso, o inimigo vem e rouba a Palavra. Essas pessoas acabam dando ouvidos à voz do inimigo, que muitas vezes sussurra mentiras como:

“Não vale a pena ser cristão”, “Não faz sentido mudar de vida” ou “Isso não é tão importante assim”.

São pessoas que não têm tempo para Deus, não cultivam relacionamento com Ele e não desejam ouvir Sua voz. Não se sensibilizam com a Palavra, não se deixam confrontar pelos seus pecados e permanecem distantes de Deus.

Por causa desse coração endurecido, o inimigo encontra facilidade para roubar a Palavra. Não houve resistência, porque não houve entrega. Elas só ouvem, mas não guardam.

O maior problema delas é o coração endurecido. 

2 – SOBRE AS PEDRAS


“E outra caiu sobre pedra e, nascida, secou-se, pois que não tinha umidade” 
Lucas 8:6

“E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas creem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam;”
Lucas 8:13

Este é o segundo tipo de solo. A semente caiu onde não havia umidade, e toda semente precisa de umidade para criar raízes e crescer. Há vida no início, há entusiasmo, mas não há profundidade.

Essas pessoas ouvem a Palavra e a recebem com alegria. Elas até creem, mas apenas por um tempo. Quando surgem as tentações, as dificuldades e as pressões do mundo, acabam se desviando, porque não criaram raízes firmes.

O problema não é a falta de alegria, mas a falta de raiz. O mundo se torna mais atraente, oferecendo um caminho aparentemente mais fácil, sem sacrifício, sem renúncia e sem compromisso. Assim, diante da escolha, preferem o mundo, porque parece mais prazeroso e menos exigente.

São pessoas que não querem uma mudança profunda de vida. Preferem satisfazer os desejos da carne, viver segundo a própria vontade, e não segundo a vontade de Deus. Enquanto tudo está bem, permanecem; quando a fé exige perseverança, recuam.

O maior problema delas é escolher satisfazer a carne, e não a vontade de Deus.

“Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.”
1 Coríntios 10:13

3 – ENTRE OS ESPINHOS


“E outra caiu entre espinhos e crescendo com ela os espinhos, a sufocaram;” 
Lucas 8:7

“E a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram e, indo por diante, são sufocados com os cuidados e riquezas e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição;” 
Lucas 8:14

Este é o terceiro tipo de solo. A semente até germina, mas acaba sendo sufocada. Essas pessoas também ouviram a Palavra, porém o coração já estava cheio de outras coisas que impedem o crescimento da semente.

As preocupações com o futuro, a busca por segurança em uma vida instável, o apego às riquezas e aos prazeres desta vida não permitem que a Palavra cresça e produza fruto. São pessoas que não se sentem seguras em Cristo; sua maior segurança está no dinheiro, nas posses e naquilo que conseguem fazer com a força do próprio braço.

Por isso, não conseguem firmar sua fé nem viver pela fé. Não é possível dar espaço para Deus quando o coração já está ocupado por tantas outras prioridades. Pessoas que colocam Deus em segundo plano não conseguem permanecer por muito tempo com Jesus. Mais cedo ou mais tarde, acabam se afastando, porque não é possível viver dividindo o coração.

O maior problema delas é um coração dividido.

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.”
 Mateus 6:24

4 – A BOA TERRA


“E outra caiu em boa terra, e, nascida, produziu fruto, a cento por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”
Lucas 8:8
“E a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança.” 
Lucas 8:15

Este é o quarto tipo de solo. Esse coração ouve, guarda e produz fruto, e produz muito. É um coração que recebe a Palavra e decide entregar a vida a Cristo. Deixa para trás a antiga maneira de viver, abandona o pecado e passa a confiar somente em Deus.

Essas pessoas não apenas recebem a Palavra, mas assumem a missão para a qual foram chamadas: serem semeadores da Palavra de Deus. O que receberam, agora compartilham.

Esses são os verdadeiros discípulos. Eles fazem discípulos. Não se conformam com uma vida que apenas recebe bênçãos ou desfruta da presença de Deus de forma individual. Desejam mais: anunciar o evangelho. Por isso, produzem muito fruto.

São pessoas comprometidas, dispostas a servir, que desejam ver outros sendo alcançados e salvos. Seu coração não está dividido; está totalmente entregue a Cristo.

O maior diferencial deles é um coração totalmente entregue a Cristo.

CONCLUSÃO


Que os nossos corações sejam solos férteis. Não podemos apenas receber a Palavra e guardá-la para nós. Todo coração recebeu a Palavra de Deus e, enquanto estivermos vivos, teremos a oportunidade de receber a Cristo. Se quisermos, nosso solo pode ser arado e cuidado por Deus, para que venhamos a frutificar.

Aqueles que têm o coração semelhante ao quarto solo precisam entender que não foram chamados apenas para receber, mas para semear. Não podemos ser apenas terra que recebe; precisamos produzir. Afinal, o dono da seara espera que a terra dê fruto. Não fomos chamados para ser solos sem plantação. Não basta ser uma planta bonita; é preciso gerar outras sementes, para que alcancem outros solos.


O nosso desafio é semear. Não importa em que tipo de solo a semente vai cair. Nós não temos o poder de saber se o solo é bom ou não, mas temos a responsabilidade de lançar a semente. Precisamos andar com nossas bolsas cheias o tempo todo, semeando, sem parar.

“E ele disse: A vós vos é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros por parábolas, para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam.”
Lucas 8:10

Muitos verão e não vão querer enxergar. Muitos ouvirão e não vão querer entender. Mas a nós foi dado discernimento. Que possamos ser não apenas ouvintes, nem apenas solos férteis, mas verdadeiros semeadores, para a glória de Deus.

“Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.”
Salmos 126:6

 

Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br

A OVELHA PERDIDA


““Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e vai após a perdida até que venha a achá-la?” 
Lucas 15:4

A parábola da ovelha perdida é apresentada por Jesus após a chegada de alguns fariseus e escribas. Eles vieram para observar Jesus e murmuravam entre si, dizendo: “Este recebe pecadores e come com eles.” Diante dessas murmurações, Jesus conta uma parábola.

Em sua história, Jesus fala de uma ovelha que se perde. Ele se apresenta como o Bom Pastor e considera como ovelhas todos aqueles que o receberam. Naquele tempo, a profissão de pastor era muito comum, e todos compreendiam muito bem quando se falava sobre esse assunto.

Vamos falar sobre a ovelha perdida.

1 – UM HOMEM TEM CEM OVELHAS

“Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e vai após a perdida até que venha a achá-la?” 
Lucas 15:4
A parábola começa com a afirmação: “um homem tem cem ovelhas”. As ovelhas às quais a parábola se refere pertencem a um homem. Esse homem tem cem e não quer perder nenhuma delas. Um pastor não quer perder suas ovelhas. Podemos lembrar de Davi, que era pastor e, em algumas ocasiões, precisou enfrentar perigos para proteger o rebanho, enfrentando o urso e o leão. Pastores costumavam passar a noite junto com suas ovelhas quando as levavam para pastos distantes, demonstrando cuidado e responsabilidade. Eles não descuidavam delas.

“Assim não é da vontade de vosso Pai que pereça um só destes pequeninos.” Mateus 18:12–14

Em sua conferência diária, o pastor conta as ovelhas e percebe que falta uma. Então, ele deixa as noventa e nove no deserto, sob cuidado, e vai em busca da ovelha perdida.

Jesus quer mostrar aos fariseus e escribas que os pecadores se perdem, mas não podem ser abandonados. Eles precisam ser encontrados e trazidos de volta para o rebanho. Esse é o esforço que o pastor faz, e esse é o esforço que Jesus faz.

“Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” Lucas 19:10

Pastores não eram apenas “funcionários”. Na cultura judaica do primeiro século, muitos pastores: Eram donos do rebanho ou trabalhavam para famílias específicas, com forte senso de responsabilidade. Perder uma ovelha não era algo simples ou aceitável.

O pastor conhecia cada ovelha. Pastores daquela época contavam as ovelhas regularmente, reconheciam cada uma pelo comportamento, não apenas pelo número e davam nomes às ovelhas. Por isso, quando faltava uma, ele percebia imediatamente.

O deserto não era abandono. Quando Jesus diz que o pastor deixa as noventa e nove “no deserto”, isso não significa lugar sem cuidado ou lugar de perigo imediato “Deserto” muitas vezes significava campos abertos de pastagem, àreas conhecidas e já utilizadas pelo rebanho, ou seja, o pastor não age de forma irresponsável, mas estratégica.

Buscar uma ovelha era perigoso e envolvia caminhar à noite, enfrentar animais selvagens, entrar em terrenos difíceis e Isso torna a atitude do pastor sacrificial, intencional e custosa.  Isso explica por que Jesus usa essa imagem para falar do amor de Deus pelos pecadores.

Jesus mesmo sacrificou sua vida para nós salvar, ele morreu morte de cruz para salvar cada um de nós.

2 – A OVELHA PERTENCE A UM REBANHO


“E achando-a, a põe sobre os seus ombros, rejubilando; E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.”
Lucas 15:5,6

Podemos perceber na parábola que a ovelha pertence a um rebanho, ou seja, ela não é uma ovelha sem dono nem sem vínculo. Jesus está falando de alguém que se perdeu, mas que tinha um lugar de pertencimento.

Mas por que ovelhas se perdem? Muitas vezes por curiosidade, ao procurar algo, vão se afastando do meio do rebanho e, depois, já não sabem mais voltar. Algo as atrai, elas perdem o foco e se distraem.

Quando falamos que somos considerados ovelhas por Jesus, isso também pode acontecer conosco. As distrações da vida nos fazem acreditar que existem coisas melhores fora do rebanho do que dentro dele, e então nos dispersamos.

Também podemos nos afastar por outros motivos, como aborrecimentos com pessoas, frustrações ou a sensação de não termos recebido a atenção que achávamos merecer. Muitas pessoas acabam se afastando da igreja por essas razões.

Outros se afastam por não concordarem com doutrinas, ou com a forma como a liderança ou o pastor conduzem a igreja. Enfim, são inúmeros os motivos, e aqui estão apenas os mais comuns. Na verdade, é difícil alguém se afastar da igreja por causa de Jesus.

Existem ainda aqueles que estão no meio do rebanho, mas vivem totalmente distraídos. Estão na igreja, participam da convivência, mas, por estarem distraídos, podem se afastar com facilidade. Alguns chamam essa condição de “perdidos dentro da casa do Pai”.

Afastar-se do rebanho é muito perigoso. Fora dele existem muitos perigos. No rebanho, há pessoas que cuidam, ajudam nos momentos difíceis e orientam. Estamos debaixo de uma liderança, e isso é muito importante. Fora do rebanho, estamos soltos, o perigo está próximo e é muito mais fácil se afastar de Deus.

Jesus estava falando de pecadores que precisavam se arrepender, que pertenciam ao rebanho, mas que um dia se perderam. Agora, Ele vai ao encontro deles para buscá-los de volta.

Quando encontra a ovelha, o pastor se alegra muito, coloca-a sobre os ombros e chama os amigos para anunciar que achou a ovelha perdida. Essa ovelha era muito preciosa para ele, agora está de volta ao rebanho, e isso é motivo de alegria para todos.

“E, se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra facilmente.” Eclesiastes 4:12

3 – HÁ UMA FESTA QUANDO A OVELHA É RECUPERADA 


“Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.” Lucas 15:7

Há muita alegria e festa quando um pecador volta a congregar. Jesus afirma que há mais alegria por esse que retorna do que pelos noventa e nove justos, porque estes já estão no rebanho, já estão caminhando. Mas quando um pecador volta, ele está sendo resgatado da morte para a vida.

Muitas vezes, o nosso senso de justiça aparece e, quando um pecador retorna, em vez de alegria, surge até certo incômodo. Alguns dizem: “Fez tanta coisa errada e agora está de volta.” No entanto, precisamos nos alegrar. Quando agimos apenas com a nossa própria justiça, acabamos nos parecendo com os fariseus e escribas. Quantas vezes um pecador sair e voltar, devemos nos alegrar com a sua volta. Ele está recebendo uma nova chance, e é nosso dever nos alegrar e cuidar dele novamente.

Às vezes, deixamos a tarefa de buscar alguém apenas para os pastores ou até mesmo somente para Jesus. Jesus faz isso, e os pastores também, mas essa responsabilidade não é exclusiva deles. Todos nós fomos chamados não apenas para evangelizar novas pessoas, mas também para trazer de volta aqueles que se afastaram. Cada um de nós precisa desenvolver o hábito de visitar, cuidar e acompanhar uns aos outros, sem esperar apenas por uma ação da igreja ou do pastor. Essa também é a nossa função, pois Jesus nos chamou para cuidar uns dos outros.

Não adianta ficar esperando a pessoa voltar sozinha. Muitas vezes, a ovelha está ferida e não consegue retornar. Falta força, falta ânimo, e às vezes há até vergonha de voltar ao rebanho. Que possamos cumprir a nossa função: buscar os perdidos.

“Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de mansidão; e guarda-te para que não sejas também tentado.” Gálatas 6:1

CONCLUSÃO


A parábola da ovelha perdida nos revela o coração de Deus. Um Deus que não se conforma com a perda, que não ignora quem se afastou e que não desiste de ninguém. A ovelha se perde, mas continua pertencendo ao rebanho. O pastor percebe sua ausência, vai ao seu encontro, a encontra, a carrega nos ombros e se alegra com sua restauração.

Jesus contou essa parábola para mostrar que o céu se move quando um pecador se arrepende. Há festa, há alegria e há celebração quando alguém é restaurado. Enquanto muitas vezes olhamos com julgamento, Deus olha com misericórdia. Enquanto alguns criticam, o céu celebra.

Essa mensagem também nos chama à responsabilidade. Não podemos agir como os fariseus, nem ficar indiferentes. Fomos chamados para cuidar uns dos outros, para buscar os que se afastaram e para acolher aqueles que retornam. Nem sempre a ovelha consegue voltar sozinha; muitas vezes ela está ferida, cansada e sem forças. Por isso, precisamos ir ao seu encontro.

Que possamos ter o mesmo coração do Bom Pastor: um coração que ama, busca, restaura e se alegra. Que nunca nos falte graça para cuidar, paciência para esperar e amor para trazer de volta. Porque, para Deus, nenhuma ovelha é descartável.

Existe hoje alguém que Deus está colocando no seu coração para você ir ao encontro, cuidar e ajudar a trazer de volta ao rebanho?

Que essa pergunta não fique apenas na mente, mas gere atitude, oração e ação. Que possamos ser instrumentos do cuidado do Bom Pastor na vida de quem se afastou.

 

Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br

OS DOIS FILHOS


Lucas 15:31-32
³¹ “Disse o pai: ‘Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu.
³² Mas nós tínhamos que comemorar e alegrar-nos, porque este seu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado’ “. 

Jesus começa a contar algumas parábolas a respeito do valor do Reino de Deus e da alegria que existe quando um perdido é encontrado. Na sequência, Ele fala sobre um filho pródigo.

Essa parábola envolve três personagens: o pai e dois filhos. Porém, ela não fala apenas de alguém que saiu de casa, voltou e foi recebido. É muito mais que isso. Ela fala do amor incondicional do pai, mas também fala de um filho que não valorizou a casa do pai nem a sua presença. Fala ainda de alguém que vivia na casa do pai, mas estava longe da presença dele.

A parábola começa assim: “Jesus continuou: ‘Um homem tinha dois filhos’” (Lucas 15:11).

Para ilustrar o que Jesus quer nos ensinar, Ele começa a partir de uma família: um pai e dois filhos. É sobre essa família, sobre o Reino de Deus, sobre a igreja e sobre nós.

Ao longo dessa mensagem, poderemos analisar quem nós somos e o que estamos fazendo na casa do Pai. Será que estamos dando o devido valor? Precisamos refletir sobre isso.

FILHO MAIS NOVO

¹² O mais novo disse ao seu pai: ‘Pai, quero a minha parte da herança’. Assim, ele repartiu sua propriedade entre eles.
Lucas 15:12

Começando pelo filho mais novo, podemos perceber uma atitude e um pedido que representam muita coisa. Ir até a presença do pai e pedir a herança era um ato profundamente ofensivo e desrespeitoso, pois significava renunciar à autoridade do pai e à sua família, afrontando publicamente a sua casa.

Ele deixa o conforto e a segurança do seu lar para partir para uma aventura inconsequente, uma carreira solo, sem estrutura, sem preparo e sem maturidade. Era jovem, pensou que iria se dar bem na vida, estava com dinheiro e foi imprudente. Na mentalidade dele, aquilo parecia correto, mas havia sérios problemas emocionais por trás dessa decisão.

Ele agiu em busca de prazer imediato, sem pensar nas consequências. Tinha a necessidade de controle, independência e afirmação do “eu”. Vivia um conflito entre dependência e autonomia. Ao sair da casa do pai, tentou romper com a autoridade e com os limites. O pecado aqui não é apenas moral, é emocional e relacional: rejeitar o vínculo com o pai.

Mas, como um dia a realidade bate à porta, as consequências se apresentam.

¹³ “Não muito tempo depois, o filho mais novo reuniu tudo o que tinha, e foi para uma região distante; e lá desperdiçou os seus bens vivendo irresponsavelmente.
¹⁴ Depois de ter gasto tudo, houve uma grande fome em toda aquela região, e ele começou a passar necessidade.
¹⁵ Por isso foi empregar-se com um dos cidadãos daquela região, que o mandou para o seu campo a fim de cuidar de porcos.
¹⁶ Ele desejava encher o estômago com as vagens de alfarrobeira que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. 
Lucas 15:13-16

O segundo ato é achar que o dinheiro nunca iria acabar. O impressionante é que ele não levou em consideração a necessidade de investir, guardar ou até mesmo trabalhar para manter sua herança. Não sabemos quanto ele recebeu, mas certamente era uma quantia grande o suficiente para fazê-lo pensar dessa forma.

Para cortar todo vínculo e se sentir livre, ele foi para uma terra distante, anulando qualquer possibilidade de socorro. Certamente pensava que assim seria melhor, pois ninguém poderia ver o que ele estava fazendo ou incomodá-lo.

Ele não se preparou profissionalmente, não aprendeu nada enquanto estava na casa do pai e não se interessou pelos negócios da família. Agora surge a fome, e o dinheiro acaba, pois ele gastou tudo o que tinha. Nessas horas, os amigos vão embora, porque não eram amigos de verdade.

A situação se torna tão deplorável que ele vai trabalhar com porcos. Para um judeu, isso era inaceitável, pois o porco era considerado um animal imundo. A humilhação chega a tal ponto que ele deseja comer a comida que os porcos comiam.

¹⁷ E, tornando em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!
¹⁸ Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti;
¹⁹ Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus empregados.  Lucas 15:17-19
Através do sofrimento, ele se lembra da casa do pai e percebe que até os empregados viviam melhor do que ele. É interessante notar que, antes, ele não dava valor ao que tinha. Estava na casa do pai, desfrutando do melhor, mas não reconhecia os benefícios.

Isso acontece com muitas pessoas: elas não percebem o que têm, olham apenas para o que falta e não para o que já possuem. São pessoas ingratas, que sempre encontram motivos para reclamar e raramente para agradecer. Nada parece suficiente.

Então, ele toma uma atitude: voltar para a casa do pai, pedir perdão, assumir o erro e pedir ajuda. Pelo menos, queria ser tratado como empregado, pois não se considerava digno de ser chamado de filho. Ele se arrependeu de verdade. Não foi arrogante como no início, não quis retornar com honra, mas apenas viver de maneira humilde.

Sua experiência foi terrível, mas ele aprendeu, na prática, o que é sofrer e não se preparar para a vida.

Não precisamos sofrer para aprender. Temos a Bíblia, que nos apresenta muitos personagens justamente para que não repitamos os mesmos erros. Temos pessoas ao nosso redor que passaram por experiências amargas e nos alertam. Não precisamos passar pelo mesmo caminho.

Estamos na casa do Pai, e nela temos tudo o que Ele oferece de bom. Muitas vezes, porém, nos desanimamos com facilidade porque não percebemos o quanto é bom estar na casa do Pai. Às vezes reclamamos por não termos o que queríamos, mas estamos protegidos, guardados, cercados de amor e da presença de Deus.

Quando estamos sem direção e queremos fazer a nossa própria vontade, passamos por cima de tudo e de todos, sem nos importar ou reconhecer os valores reais; apenas queremos satisfazer a nossa própria vontade.
O PAI

²⁰ E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
²¹ E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho. 
Lucas 15:20,21

O pai não negou a herança; ele a repartiu entre os filhos. Essa parábola chama a nossa atenção porque, culturalmente, o filho jamais faria esse pedido e o pai jamais permitiria. Um filho que agisse dessa forma poderia até ser apedrejado, por ser considerado rebelde.
Mas por que o pai agiu assim?

Primeiro, porque o pai não queria um amor forçado. Ele não poderia obrigar o filho a amar a casa e a família. Não adiantaria forçá-lo a viver uma situação que ele não desejava. Então, o pai atende ao desejo do filho, respeitando sua decisão, mesmo sendo contra a própria vontade. Mesmo com o coração ferido e sabendo que tudo daria errado.

Quando o pai vê o filho de volta, ele toma algumas atitudes que jamais um patriarca faria, de acordo com a cultura da época.
Primeiro, ele corre ao encontro do filho. Patriarcas não corriam; era vergonhoso ver um homem maduro levantando suas vestes para correr. Ele se expõe para proteger o filho da rejeição da aldeia.
Segundo, ele beija o filho, provando que está sendo restaurado publicamente.
Terceiro, ele manda trazer a melhor roupa, símbolo de honra restaurada.
Quarto, coloca um anel em seu dedo, como símbolo de autoridade e filiação.
Quinto, coloca sandálias em seus pés, mostrando que ele não era mais escravo, mas filho.

Como aquele filho era amado, e como o pai esperava que um dia ele voltasse. Esse pai nunca perdeu a esperança; estava ali todos os dias, em seu coração, aguardando o retorno do filho.

O pai é um exemplo de amor e perseverança silenciosa. A dor do pai nunca cessou, mas a fé de que o filho voltaria continuava viva todos os dias.

O FILHO MAIS VELHO

²⁵ “Enquanto isso, o filho mais velho estava no campo. Quando se aproximou da casa, ouviu a música e a dança.
²⁶ Então chamou um dos servos e perguntou-lhe o que estava acontecendo.
²⁷ Este lhe respondeu: ‘Seu irmão voltou, e seu pai matou o novilho gordo, porque o recebeu de volta são e salvo’.
²⁸ “O filho mais velho encheu-se de ira, e não quis entrar. Então seu pai saiu e insistiu com ele.
²⁹ Mas ele respondeu ao seu pai: ‘Olha! todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens. Mas tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com os meus amigos.
³⁰ Mas quando volta para casa esse seu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele! ’ 
Lucas 15:25-30

Existe algo que, às vezes, passa despercebido por nós: o fato de o filho mais velho também ter recebido sua parte da herança. Isso faz toda a diferença. Ele recebeu a herança e não disse nada, simplesmente concordou. Ele poderia reclamar, protestar, pois o que o irmão mais novo fez não era correto; porém, permaneceu em silêncio.
Não sabemos o que ele fez com a parte que recebeu, mas, no decorrer da história, ele se mostra profundamente indignado. Surge então a pergunta: qual é o motivo da sua indignação, se o pai foi justo com os dois?
A reclamação do filho mais velho não é justa. Dizer que trabalhou todos aqueles anos como um escravo é uma mentira. Além de ter recebido sua parte da herança, ele trabalhava porque queria trabalhar. E mais: certamente ficaria com todo o negócio do pai quando ele viesse a falecer. Ele era parceiro do pai no trabalho. Tudo o que o pai tinha também era dele.
Ele não precisava que o pai lhe desse algo, pois estavam juntos o tempo todo. Se quisesse festejar com seus amigos, poderia fazê-lo. Afinal, tinha sua herança e ainda trabalhava com o pai. Certamente o pai jamais lhe negaria isso.
O que havia nele era raiva reprimida, ressentimento acumulado e uma profunda sensação de injustiça. Ele tinha enorme dificuldade em celebrar a vitória do outro. Nunca saiu de casa, mas emocionalmente sempre esteve distante.
Muitos estão assim hoje: estão na casa do Pai, são obedientes, não faltam aos cultos nem às programações, trabalham bastante, porém seus corações estão longe do Pai, mesmo estando dentro da igreja. Não conseguem perdoar nem receber aqueles que um dia saíram e agora estão voltando. São crentes ressentidos, cuja base de justiça está no esforço e não no amor.
Em vez de ajudar, julgam o tempo inteiro. Tornam-se incapazes de amar. Precisam ser tratados, pois estão desviados dentro da casa do Pai.

CONCLUSÃO

A parábola do filho pródigo nos apresenta três personagens, e em algum momento da vida todos nós nos parecemos com um deles.
O filho mais novo representa aqueles que estão na casa do Pai, mas não valorizam o que têm. Confundem liberdade com afastamento, acham que sabem o que é melhor para si e escolhem caminhar sem direção. Ele nos ensina que fugir não resolve o vazio do coração e que decisões tomadas sem maturidade sempre trazem consequências. Porém, também nos mostra que o arrependimento verdadeiro abre caminho para a restauração.
O pai, que nessa parábola representa o próprio Deus, revela um amor incondicional, paciente e perseverante. Ele sofre, espera, permanece e nunca desiste. Deus não força ninguém a amá-Lo, mas continua de braços abertos, esperando o retorno. É um Pai que prefere assumir a vergonha a perder o filho, mostrando que o Seu amor não depende do nosso desempenho, mas da Sua graça. Ele nos ensina que amar não é controlar, é permanecer fiel mesmo quando dói.
O filho mais velho representa aqueles que nunca saíram fisicamente da casa, mas se afastaram emocionalmente. Pessoas que fazem tudo certo, mas carregam raiva, ressentimento e uma visão distorcida da graça. Vivem uma fé baseada no esforço e não no relacionamento. Ele nos alerta que é possível estar na casa do Pai e ainda assim não desfrutar da sua presença.

APLICAÇÃO

Essa parábola nos confronta com uma pergunta simples e profunda:
 quem somos nós hoje nessa história?
Talvez você seja o filho mais novo, que se afastou, se perdeu, errou e agora percebe que longe do Pai nada faz sentido. A boa notícia é que ainda há braços abertos esperando por você.
Talvez você seja o filho mais velho, que nunca saiu da igreja, mas deixou o coração endurecer, perdeu a alegria e passou a julgar mais do que amar. Hoje é dia de permitir que Deus cure seu interior.
Ou talvez Deus esteja te chamando a aprender com o Pai: amar sem desistir, esperar sem se amargurar e permanecer fiel mesmo quando dói.
A casa do Pai continua aberta.
 A mesa continua posta.
 A graça continua disponível.
O convite hoje não é apenas para voltar para casa,
 mas para viver de verdade na casa do Pai.

Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br

CONCLUÍDO 100%

Você conhece alguém que está precisando desse conteúdo? Compartilhe!

Quer receber atualizações?

Entre no nosso grupo do WhatsApp e receba novos capítulos de séries. Fique tranquilo: o grupo é fechado e apenas o administrador envia as mensagens. É um espaço livre de propagandas e focado exclusivamente na sua palavra diária.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima