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Deus falou comigo?

Deus falou comigo?

Deus pode falar conosco pela Palavra, pelo Espírito Santo, na oração, por meio de pessoas, por circunstâncias, pela criação e também por sonhos e visões.

Tenho ouvido muito por aí uma expressão que tem me deixado bastante preocupado: “Deus falou comigo”. Deus fala, isso é verdade. Eu creio nisso e também tenho experiências com Deus. O meu problema não está no fato de Deus falar, mas na banalização dessa afirmação, na forma comum com que muitas pessoas tratam algo tão sério.

Já ouvi pessoas falarem de um jeito que parece até que bateram um papo com Deus, como se a pessoa perguntasse e Deus respondesse imediatamente. Será que é assim mesmo?

Não posso julgar quem fala dessa forma, pois não sei como é o relacionamento dessa pessoa com Deus. Mas posso — e devo — analisar à luz da Bíblia e, a partir dela, tirar conclusões que me levam a pensar que algo pode estar errado nessa maneira de comunicar-se.

Antes de tudo, quero deixar bem claro: acredito, sim, que Deus pode falar de forma audível; acredito em visões, sonhos e nas outras formas já citadas. Não sou incrédulo quanto a isso. Porém, ser cristão e viver pela fé não me torna ignorante nem cego. A própria Bíblia nos orienta a ter discernimento e cuidado.

“Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.”
1 João 4:1

Não é pecado duvidar do que alguém diz ter recebido de Deus. Pelo contrário, é prudente orar e buscar confirmação. Muitas pessoas têm medo de duvidar, mas a própria Bíblia nos ensina a não aceitar tudo de forma automática. Precisamos de comprovação.

Isso significa que, se alguém vier até mim trazendo uma profecia, devo buscar a Deus para saber se aquilo realmente vem d’Ele. E por quê?

Porque o ser humano pode confundir a voz de Deus com emoções ou pensamentos próprios. Nem todo pensamento intenso vem de Deus.

“O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa, e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?”
Jeremias 17:9

Deus chega a comparar o engano do coração a uma doença incurável — veja como isso é sério. Podemos nos confundir facilmente. Por isso, precisamos buscar em Deus discernimento.

Para não cair nesse erro, quando houver dúvida se é Deus falando ou apenas nossas emoções, podemos agir com humildade e dizer:
“Tenho algo para compartilhar com você; se for de Deus, Ele confirmará no seu coração. Ore, e peça para que o próprio Deus fale com você.”

Agora, se houver plena certeza, confirmada pela Palavra e pelo Espírito, então devemos falar com ousadia aquilo que Deus realmente mandou dizer.

O perigo está no impacto que essas palavras causam na vida das pessoas. Muitos estão carentes, fragilizados e desesperados por respostas — sobre cura, emprego, futuro e direção. Quando falamos algo que não vem de Deus e geramos falsas ilusões, caímos em um erro terrível, capaz de causar grandes danos.

Já vi pessoas serem expostas publicamente dentro da igreja, passando por vergonha, porque alguém disse que “Deus falou”. Já vi pecados sendo expostos em público, quando deveriam ter sido tratados em particular. Todo cuidado é pouco.

Falar em nome de Deus é algo muito sério. Não podemos brincar com isso de maneira nenhuma.

“Não deis ouvidos às palavras dos profetas que vos profetizam; eles vos enchem de vãs esperanças; falam da visão do seu próprio coração, não da boca do Senhor.”
Jeremias 23:16

No tempo de Jeremias, Deus falava sobre juízo e correção, enquanto outros profetas diziam exatamente o contrário, prometendo bênçãos. Mas como Deus poderia abençoar um povo que vivia em idolatria? Veja como esse assunto é delicado.

“Quando o profeta falar em nome do Senhor, e a palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou o profeta; não tenhas medo dele.”
Deuteronômio 18:22

Não podemos nos intimidar pelo tom de voz, pela autoridade aparente ou por manifestações emocionais. Emoções alteram muito o nosso estado, e cada pessoa as expressa de forma diferente.

Durante o louvor, por exemplo, alguns choram, outros glorificam em alta voz, outros ficam em silêncio, outros falam em línguas — e isso não é problema. O que precisamos é discernir.

Barulho ou silêncio não dizem, por si só, se há ou não mover de Deus. Uma pessoa pode estar quieta e profundamente quebrantada diante do Senhor. Outra pode estar fazendo muito barulho apenas para chamar atenção. Emoção não é sinônimo de espiritualidade.

“Pois vocês todos podem profetizar, cada um por sua vez, de forma que todos sejam instruídos e encorajados. Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.
Pois Deus não é Deus de desordem, mas de paz.”
1 Coríntios 14:31-33

Aqui vale destacar: “os espíritos dos profetas” — em letra minúscula — referem-se ao espírito do homem, que está sujeito ao próprio homem. Ou seja, há controle. O Espírito Santo não nos tira a consciência, não nos descontrola e não nos anula. Domínio próprio é fruto do Espírito.

Para concluir: se você é usado por Deus dessa forma, peça diariamente discernimento. Tenha cuidado ao entregar uma palavra. Aperfeiçoe o dom que Deus lhe deu. Este ensino não é para desanimar, mas para impulsionar você a buscar mais a Deus, conhecer melhor o dom que Ele manifesta em sua vida e ser usado de forma saudável na igreja e entre os irmãos.

Não podemos impedir o agir do Espírito Santo, mas precisamos caminhar com responsabilidade, temor e maturidade.

Que Deus abençoe a todos. Nas próximas quartas-feiras, falaremos detalhadamente sobre as formas pelas quais Deus fala com o ser humano. Não deixe de acompanhar.

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