Deus falou comigo?
Será que Deus ainda fala hoje?
Sim, Deus continua falando. Ele se comunica de diversas maneiras e pode usar vários canais para falar ao nosso coração. Por isso, precisamos estar atentos e, principalmente, entender quais são as formas pelas quais Ele se revela.
Vamos entender melhor…
Introdução
Deus fala comigo
Deus pode falar conosco pela Palavra, pelo Espírito Santo, na oração, por meio de pessoas, por circunstâncias, pela criação e também por sonhos e visões.
Tenho ouvido muito por aí uma expressão que tem me deixado bastante preocupado: “Deus falou comigo”. Deus fala, isso é verdade. Eu creio nisso e também tenho experiências com Deus. O meu problema não está no fato de Deus falar, mas na banalização dessa afirmação, na forma comum com que muitas pessoas tratam algo tão sério.
Já ouvi pessoas falarem de um jeito que parece até que bateram um papo com Deus, como se a pessoa perguntasse e Deus respondesse imediatamente. Será que é assim mesmo?
Não posso julgar quem fala dessa forma, pois não sei como é o relacionamento dessa pessoa com Deus. Mas posso — e devo — analisar à luz da Bíblia e, a partir dela, tirar conclusões que me levam a pensar que algo pode estar errado nessa maneira de comunicar-se.
Antes de tudo, quero deixar bem claro: acredito, sim, que Deus pode falar de forma audível; acredito em visões, sonhos e nas outras formas já citadas. Não sou incrédulo quanto a isso. Porém, ser cristão e viver pela fé não me torna ignorante nem cego. A própria Bíblia nos orienta a ter discernimento e cuidado.
“Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.”
1 João 4:1
Não é pecado duvidar do que alguém diz ter recebido de Deus. Pelo contrário, é prudente orar e buscar confirmação. Muitas pessoas têm medo de duvidar, mas a própria Bíblia nos ensina a não aceitar tudo de forma automática. Precisamos de comprovação.
Isso significa que, se alguém vier até mim trazendo uma profecia, devo buscar a Deus para saber se aquilo realmente vem d’Ele. E por quê?
Porque o ser humano pode confundir a voz de Deus com emoções ou pensamentos próprios. Nem todo pensamento intenso vem de Deus.
“O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa, e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?”
Jeremias 17:9
Deus chega a comparar o engano do coração a uma doença incurável — veja como isso é sério. Podemos nos confundir facilmente. Por isso, precisamos buscar em Deus discernimento.
Para não cair nesse erro, quando houver dúvida se é Deus falando ou apenas nossas emoções, podemos agir com humildade e dizer:
“Tenho algo para compartilhar com você; se for de Deus, Ele confirmará no seu coração. Ore, e peça para que o próprio Deus fale com você.”
Agora, se houver plena certeza, confirmada pela Palavra e pelo Espírito, então devemos falar com ousadia aquilo que Deus realmente mandou dizer.
O perigo está no impacto que essas palavras causam na vida das pessoas. Muitos estão carentes, fragilizados e desesperados por respostas — sobre cura, emprego, futuro e direção. Quando falamos algo que não vem de Deus e geramos falsas ilusões, caímos em um erro terrível, capaz de causar grandes danos.
Já vi pessoas serem expostas publicamente dentro da igreja, passando por vergonha, porque alguém disse que “Deus falou”. Já vi pecados sendo expostos em público, quando deveriam ter sido tratados em particular. Todo cuidado é pouco.
Falar em nome de Deus é algo muito sério. Não podemos brincar com isso de maneira nenhuma.
“Não deis ouvidos às palavras dos profetas que vos profetizam; eles vos enchem de vãs esperanças; falam da visão do seu próprio coração, não da boca do Senhor.”
Jeremias 23:16
No tempo de Jeremias, Deus falava sobre juízo e correção, enquanto outros profetas diziam exatamente o contrário, prometendo bênçãos. Mas como Deus poderia abençoar um povo que vivia em idolatria? Veja como esse assunto é delicado.
“Quando o profeta falar em nome do Senhor, e a palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou o profeta; não tenhas medo dele.”
Deuteronômio 18:22
Não podemos nos intimidar pelo tom de voz, pela autoridade aparente ou por manifestações emocionais. Emoções alteram muito o nosso estado, e cada pessoa as expressa de forma diferente.
Durante o louvor, por exemplo, alguns choram, outros glorificam em alta voz, outros ficam em silêncio, outros falam em línguas — e isso não é problema. O que precisamos é discernir.
Barulho ou silêncio não dizem, por si só, se há ou não mover de Deus. Uma pessoa pode estar quieta e profundamente quebrantada diante do Senhor. Outra pode estar fazendo muito barulho apenas para chamar atenção. Emoção não é sinônimo de espiritualidade.
“Pois vocês todos podem profetizar, cada um por sua vez, de forma que todos sejam instruídos e encorajados.
Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas. Pois Deus não é Deus de desordem, mas de paz.”
1 Coríntios 14:31-33
Aqui vale destacar: “os espíritos dos profetas” — em letra minúscula — referem-se ao espírito do homem, que está sujeito ao próprio homem. Ou seja, há controle. O Espírito Santo não nos tira a consciência, não nos descontrola e não nos anula. Domínio próprio é fruto do Espírito.
Para concluir: se você é usado por Deus dessa forma, peça diariamente discernimento. Tenha cuidado ao entregar uma palavra. Aperfeiçoe o dom que Deus lhe deu. Este ensino não é para desanimar, mas para impulsionar você a buscar mais a Deus, conhecer melhor o dom que Ele manifesta em sua vida e ser usado de forma saudável na igreja e entre os irmãos.
Não podemos impedir o agir do Espírito Santo, mas precisamos caminhar com responsabilidade, temor e maturidade.
Que Deus abençoe a todos. Nas próximas quartas-feiras, falaremos detalhadamente sobre as formas pelas quais Deus fala com o ser humano. Não deixe de acompanhar.
Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br
Deus fala pelo Espírito Santo
Deus fala pelo Espírito Santo
“Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir.”
João 16:13
Essa é a maneira mais comum de Deus se comunicar conosco hoje. Todos os que creem em Jesus são alcançados por essa forma de Deus falar. É algo sobrenatural, mas ao mesmo tempo natural, pois o Espírito Santo habita dentro de nós e nos acompanha diariamente. Ele fala com um objetivo muito claro: nos guiar em toda a verdade.
O Espírito Santo nos ensina a andar de acordo com a Palavra de Deus e nos mostra o que devemos fazer à luz das Escrituras. Ele também nos lembra de tudo o que Jesus ensinou. Porém, há algo muito importante a ser ressaltado: só conseguimos lembrar daquilo que aprendemos. Por isso, precisamos buscar conhecimento bíblico, pois não é possível ser lembrado de algo que nunca foi conhecido.
Na verdade, a principal forma do Espírito Santo falar é através da própria Palavra de Deus — afinal, foi Ele quem a inspirou. Quem negligencia as Escrituras terá dificuldade em reconhecer a voz do Espírito.
Além de ensinar e lembrar, o Espírito Santo nos dá poder para sermos testemunhas de Jesus, capacitando-nos a viver uma vida de obediência.
“Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas…”
Atos 1:8
Sempre que estamos inclinados ao pecado, Ele fala conosco no íntimo, gerando um alerta interior e uma convicção clara para não seguirmos o caminho errado. Nesse momento, enfrentamos uma batalha interna entre a vontade da carne e a direção do Espírito — e a decisão mais sábia será sempre obedecer à Sua voz.
Na maioria das vezes, essa voz não é audível. Deus pode falar de forma audível em situações específicas, mas isso não é o comum. Geralmente, o Espírito nos guia por meio de convicção, discernimento e direção interior.
Contudo, é necessário um equilíbrio: nem todo sentimento vem do Espírito Santo. Sua voz nunca contradiz as Escrituras, nunca incentiva o pecado e sempre glorifica a Cristo.
“Ele me glorificará.” João 16:14
Uma marca clara da atuação do Espírito é que Ele aponta para Jesus, e não para o ego humano. Experiências espirituais genuínas produzem humildade, santidade e transformação.
O Espírito Santo também nos ajuda em nossas orações. Muitas vezes não sabemos como orar ou o que pedir, mas Ele intercede por nós segundo a vontade de Deus e nos fortalece em nossa fraqueza.
“Da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas… o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.”
Romanos 8:26
Outra verdade fundamental é que o Espírito produz em nós o Seu fruto. Ele não apenas nos mostra como devemos viver — Ele nos transforma para que nos tornemos mais parecidos com Cristo.
“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.”
Gálatas 5:22–23
A maior evidência de que o Espírito Santo fala conosco não é apenas receber direção, mas experimentar transformação. Quanto mais ouvimos Sua voz, mais o nosso caráter se parece com o de Jesus.
O Espírito nos ensina continuamente. Quando lemos a Bíblia, Ele torna a Palavra viva em nosso coração. Quando oramos, Ele ajusta nossos desejos à vontade de Deus. Quando servimos, Ele nos capacita.
Por isso, precisamos cultivar sensibilidade espiritual — uma vida de oração, comunhão e busca constante por Deus. Como ensina o apóstolo Paulo: “Orai sem cessar.” Uma vida de oração mantém nosso coração atento à voz do Espírito.
Ele também nos direciona enquanto aconselhamos, pregamos e cuidamos de outras pessoas. Por isso, devemos permanecer espiritualmente atentos, pedindo a direção de Deus para não falarmos apenas palavras humanas, mas sermos instrumentos do Espírito Santo.
Geralmente, a voz do Espírito não é barulhenta — é discreta, profunda e transformadora. Ele traz paz quando estamos no caminho certo e convicção quando precisamos corrigir nossa rota. Isso vai muito além da consciência moral natural; é a própria atuação de Deus dentro de nós.
O Espírito Santo é nosso ajudador, amigo e companheiro diário. Ele nos fortalece nas tentações, sustenta nas fraquezas e nos conduz com segurança na caminhada cristã.
Portanto, mais importante do que perguntar se Deus está falando é perguntar:
Estamos dispostos a ouvir e obedecer?
Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br
Deus fala pela sua Palavra
Deus fala pela sua Palavra
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3:16-17)
Olhando para o texto que acabamos de ler, podemos observar algumas palavras importantes: ensino, repreensão, correção e instrução na justiça. É isso que a Palavra faz conosco — ela nos ensina o caminho, nos confronta quando erramos, nos corrige para que voltemos à direção certa e nos treina para viver de maneira justa.
Mas o texto também nos mostra um objetivo muito claro: preparar o homem de Deus para toda boa obra. Isso nos ensina que Deus não deseja apenas que tenhamos conhecimento, mas que sejamos pessoas preparadas para viver e praticar a sua vontade.
Para executar uma boa obra, é necessário preparo. E esse preparo não vem apenas de experiências ou sentimentos — vem de uma vida firmada nas Escrituras. Quanto mais somos moldados pela Palavra, mais capacitados nos tornamos para aquilo que Deus nos chamou a fazer.
Deus fala conosco através da sua Palavra, e Jesus Cristo está revelado nela. Ele é a Palavra Viva.
“E o Verbo se fez carne e habitou en,tre nós.” (João 1:14)
É possível alguém dizer que conhece ou tem intimidade com Jesus sem conhecer a Palavra? Vamos pensar um pouco: se Jesus é a Palavra de Deus revelada, então uma das principais formas de conhecê-lo é através das Escrituras, pois elas falam dEle.
“Examinais as Escrituras… são elas que testificam de mim.” (João 5:39)
Só conheceremos verdadeiramente a Jesus quando conhecermos aquilo que foi revelado sobre Ele.
Quando lemos a Palavra de Deus, o Espírito Santo nos revela o que precisamos aprender e nos guia em toda a verdade.
“Quando vier o Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade.” (João 16:13)
Ele nos mostra Jesus e toda a sua obra, revela nossos pecados, aponta o perdão de Deus, nos dá esperança, nos restaura e nos anima a continuar caminhando.
“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz.” (Hebreus 4:12)
Não é possível um crente ter uma vida espiritual saudável sem contato diário com a Palavra de Deus. Veja o que o Senhor disse a Josué:
“Não cesse de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite… então farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido.”
(Josué 1:8)
A força espiritual nasce da constância na Palavra. Sem a Palavra de Deus, não seremos fortes para resistir às investidas de Satanás. Ela nos mostra como combater as ações do inimigo.
O próprio Jesus venceu a tentação usando as Escrituras: “Está escrito…” (Mateus 4:4)
Além disso, a Bíblia nos ensina a usar a arma correta:
“Tomai… a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus.” (Efésios 6:17)
Sem a Palavra não adquirimos sabedoria para pregar o evangelho. É conhecendo o evangelho que aprendemos a anunciá-lo, e é olhando para Jesus que aprendemos como viver.
“A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo.” (Romanos 10:17)
Sem a Palavra não podemos discipular ninguém. Para ensinar outros sobre Jesus, precisamos aprender como Ele andou.
“Habite ricamente em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente.” (Colossenses 3:16)
Sem a Palavra não podemos viver uma vida com Deus. Não é possível ter um relacionamento profundo sem saber quem Ele é.
A intimidade nasce do conhecimento, e o conhecimento vem da Palavra.
“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho.” (Salmo 119:105)
Quer ouvir a voz de Deus? Abra a Palavra.
Muitos têm procurado ouvir Deus de diversas formas, mas ao abrir as Escrituras, Deus já está falando.
“Bem-aventurado aquele que lê…” (Apocalipse 1:3)
Se você não compreender o que está lendo, Deus levantou mestres, pastores e professores para ajudar na compreensão das Escrituras.
“E ele mesmo concedeu uns para pastores e mestres.” (Efésios 4:11)
Essas pessoas se dedicam ao estudo da Palavra para ensinar com fidelidade e edificar a igreja.
As respostas para os dilemas da vida podem ser encontradas nas Escrituras. Nelas vemos exemplos de vitórias e fracassos, e através deles aprendemos a viver com sabedoria, evitando o mal e praticando o que é correto.
“Guardei a tua palavra no meu coração para não pecar contra ti.” (Salmo 119:11)
Hoje temos muitos recursos: podemos ler, ouvir e assistir conteúdos bíblicos. A Palavra está acessível no celular, no computador, na televisão e também na Bíblia impressa.
Nunca foi tão fácil ter acesso à voz de Deus — e isso aumenta ainda mais a nossa responsabilidade de ouvi-la e praticá-la.
Salvação não vem do conhecimento bíblico; vem pela graça mediante a fé.
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras.” (Efésios 2:8-9)
Ninguém é salvo por saber muito da Bíblia. O ladrão da cruz prova exatamente isso. Se o conhecimento fosse o meio da salvação, muitos teólogos estariam automaticamente salvos — mas a Bíblia nunca ensinou isso.
O conhecimento não salva, mas quem é salvo precisa crescer. Precisa se relacionar com Deus. Se o ladrão tivesse vivido, certamente teria desejado conhecer mais aquele que o salvou.
Conhecer a Palavra é o caminho natural do verdadeiro cristão, pois o crescimento espiritual é uma evidência da nova vida em Cristo.
“Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (2 Pedro 3:18)
Quem foi alcançado pela graça não permanece estagnado; desenvolve fome por Deus, desejo de aprender e anseio por uma vida cada vez mais parecida com a de Jesus.
Portanto, a salvação é um presente da graça de Deus, recebido pela fé, e não pelo quanto conhecemos das Escrituras. Porém, aquele que foi verdadeiramente salvo não permanece o mesmo — nasce nele um desejo profundo de conhecer mais a Deus.
A Palavra deixa de ser apenas um livro e passa a ser alimento diário, direção segura e fundamento para a vida.
“Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mateus 4:4)
Não buscamos a Palavra para sermos salvos, mas porque fomos salvos. E quanto mais conhecemos a Deus através das Escrituras, mais somos transformados à imagem de Cristo.
Quem foi alcançado pela graça aprende a amar a Palavra, pois nela encontra a voz de Deus, o caminho seguro e a revelação daquele que agora é o Senhor da sua vida.
Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br
Deus fala através de sonhos e visões
Deus fala através de sonhos e visões
“Sim, estou contra os que profetizam sonhos falsos”, declara o Senhor. “Eles os relatam e, com as suas mentiras irresponsáveis, desviam o meu povo. Eu não os enviei nem lhes autorizei; e eles não trazem benefício algum a este povo”, declara o Senhor.”
Jeremias 23:32
A Bíblia está cheia de pessoas que foram usadas por Deus por meio de visões e sonhos. Não há dúvida: Deus falou no passado e continua podendo falar hoje através de sonhos e visões.
“E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões.” Joel 2:28
Quando Deus diz que “vossos velhos sonharão e vossos jovens terão visões”, isso não estabelece um padrão exclusivo, como se apenas velhos sonhassem e apenas jovens tivessem visões. O texto mostra que o Espírito seria derramado sobre todos. Deus pode usar qualquer pessoa.
Às vezes, as visões e os sonhos são de fácil interpretação, pois já vêm com a explicação. Outras vezes não. Precisamos orar para entender e discernir o que significam. Aí surge o problema: muitos tentam interpretar sem o discernimento correto e acabam errando. Esse erro é grave, pois só podemos dizer aquilo que Deus realmente falou. “Se alguém fala, fale segundo os oráculos de Deus.” (1 Pedro 4:11).
“Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.” Tiago 1:5.
Sonhos podem ser produtos da nossa mente.
Se vivemos algo durante a semana, no dia ou em um curto período, isso pode ser processado pelo cérebro e aparecer enquanto dormimos. Algo que vimos e nem percebemos conscientemente pode ter sido registrado internamente. A própria Bíblia mostra que nem todo sonho é espiritual: “Porque dos muitos trabalhos vêm os sonhos” (Eclesiastes 5:3) e também fala de sonhos falsos (Zacarias 10:2). Por isso, é muito importante discernir se o sonho vem de Deus ou não.
Já a visão, por acontecer quando estamos acordados, pode parecer mais clara, mas ainda assim precisa ser provada. “Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.” (1 João 4:1).
Surge então a pergunta: como saber se é de Deus?
Não é algo simples. Primeiro, precisamos de discernimento espiritual. “Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus… porque elas se discernem espiritualmente.” (1 Coríntios 2:14). Segundo, é necessário examinar tudo e reter o que é bom (1 Tessalonicenses 5:21). A própria Bíblia ensina que as profecias devem ser julgadas (1 Coríntios 14:29). Nada deve ser aceito sem avaliação.
A igreja de Cristo tem vivido muitas ilusões por causa de falsos profetas que falam coisas que não vêm de Deus. Isso é grave, e o Senhor reprova tal atitude. “Não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam…” (Jeremias 23:16). “Acautelai-vos dos falsos profetas…” (Mateus 7:15). Muitas vezes são pessoas movidas por vaidade e desejo de parecer mais espirituais. “Se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana.” (Gálatas 6:3).
José e Daniel, por exemplo, tiveram convicção quando falaram, pois Deus revelou claramente a eles. José disse: “Isso não está em mim; Deus dará resposta…” (Gênesis 41:16). Daniel declarou: “Mas há um Deus no céu que revela os mistérios…” (Daniel 2:28). Eles não falaram por si mesmos, mas pelo que Deus mostrou. Por isso falaram com autoridade. Se Deus falar claramente conosco, também haverá convicção. Mas, se não houver clareza, precisamos consultar ao Senhor, como Davi fazia (1 Samuel 23:2), e confiar n’Ele (Provérbios 3:5-6). Ter cautela não é falta de fé.
Nem sempre a visão ou o sonho se cumprem imediatamente. Os sonhos de José demoraram anos para se cumprir (Gênesis 37–41), assim como a promessa feita a Abraão levou tempo (Gênesis 12–21). A Escritura diz: “Ainda que demore, espera-o” (Habacuque 2:3). Deus trabalha no tempo d’Ele.
Sonhos e visões não podem trazer novas doutrinas.
Qualquer “revelação” que acrescente algo à Palavra de Deus não pode ser aceita. “Toda a Escritura é inspirada por Deus…” (2 Timóteo 3:16-17). E a advertência é clara para que nada seja acrescentado (Apocalipse 22:18-19). Ainda que alguém anuncie algo diferente do evangelho já revelado, não deve ser aceito (Gálatas 1:8). Deus pode aplicar Sua Palavra, direcionar e confirmar, mas não acrescenta nova doutrina.
Também não podem ir contra a Palavra de Deus.
Deus nunca conduzirá alguém ao pecado. “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus…” (Tiago 1:13). A Palavra é nossa referência segura: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos.” (Salmo 119:105).
Há situações em que pessoas expõem outras publicamente, citando pecados ou colocando-as em constrangimento diante da congregação. Isso precisa ser tratado com muito cuidado. Se alguém for surpreendido em alguma falta, deve ser restaurado com mansidão (Gálatas 6:1), e tudo na igreja deve ser feito para edificação (1 Coríntios 14:26). O objetivo nunca deve ser humilhar, mas restaurar.
Falar de sonhos e visões é algo complexo, pois podem existir interferências emocionais e humanas nesse processo. Por isso, a Bíblia insiste que as profecias sejam julgadas (1 Coríntios 14:29) e que os espíritos sejam provados (1 João 4:1).
Se Deus usa alguém com frequência nessa área, essa pessoa precisa buscar ainda mais discernimento e agir com temor e responsabilidade ao expor aquilo que acredita que Deus mandou falar.
Nós cremos que Deus pode falar através de sonhos e visões. Sabemos que Ele falou de muitas maneiras no passado (Hebreus 1:1-2). Porém, assim como em todas as outras formas pelas quais Deus se comunica, precisamos agir com submissão às Escrituras.
Diante de tudo isso, precisamos manter equilíbrio. Não podemos desprezar aquilo que Deus pode fazer, mas também não podemos aceitar tudo sem discernimento. A igreja não é guiada por experiências, mas pela Palavra de Deus.
Se o Senhor quiser falar por meio de sonhos e visões, Ele falará. Mas nossa segurança não está nessas experiências, e sim nas Escrituras. A Bíblia é suficiente, segura e perfeita.
Que nunca coloquemos experiências acima da Palavra. Que nunca falemos em nome de Deus aquilo que Ele não falou. E que, se o Senhor nos usar, seja para edificar, consolar e fortalecer a igreja.
Que Deus o abençoe e o use para edificar vidas com sabedoria e equilíbrio.
Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br
Deus fala através das coisas criadas
Deus fala através das coisas criadas
“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis.” Romanos 1:20
Deus fala conosco através das coisas criadas. Se o mundo existe, é porque existe alguém que o criou; é muito difícil acreditar que todas as coisas surgiram do nada. É complexo demais acreditar que tudo o que existe — extremamente organizado, como o funcionamento do sistema solar, a complexidade da natureza, os animais e o corpo humano — foi fruto do acaso.
Pelo que entendo, explosões não constroem nada e a matéria, sozinha, não forma coisas inteligentes. Não sou conhecedor dessas ciências, mas de uma coisa tenho muita certeza: “tem que ter muita fé para acreditar nessas coisas”, e eu não tenho essa fé. Prefiro a minha fé: a de acreditar que existe um Deus que criou todas as coisas. Vamos, então, para o que a Bíblia nos diz.
A criação é como um quadro assinado. Assim como olhamos para uma pintura e, mesmo sem ver o pintor, sabemos que ele existiu pela técnica e beleza, a criação é a “obra de arte” que prova a existência do Artista.
A ciência nos mostra o como as coisas funcionam, mas só a Bíblia nos explica o quem e o porquê elas funcionam.
Paulo afirma que, desde a criação do mundo, fica muito claro para todo ser humano que, por trás de tudo, existe um Criador, de tal forma que não há desculpas para dizer o contrário. Estes versículos explicam que a criação “fala” sem usar palavras humanas, revelando a grandeza do Criador. A natureza é testemunha da criação de Deus.
“Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz.” (Salmos 19:1-4)
O dia e a noite estão pregando Deus para nós, apresentando o Seu poder e, não somente o Seu poder, mas o Seu cuidado constante conosco. Imagine comigo por um instante se Deus fizesse algo muito simples, que nem passa pela nossa cabeça, como tirar o oxigênio da Terra. O que aconteceria com a população? Você já sabe: todos morreriam.
Entenda que todas as coisas foram criadas por Deus e Ele as mantém funcionando perfeitamente. Os calendários podem ter mudado, mas a semana sempre foi de sete dias, os dias sempre foram de vinte e quatro horas, e por aí vai. Se isso fosse obra do acaso, seria estranho demais funcionar perfeitamente assim. Deus frequentemente aponta para o funcionamento do ecossistema para nos ensinar lições morais e de confiança:
“Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. […] E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam.” (Mateus 6:26-28)
Poderíamos falar muito aqui sobre a natureza, pois a Bíblia é repleta de versículos que mostram como Deus fala através dela. Vamos imaginar o ser humano: uma obra impressionante. Deus o fez à Sua imagem e semelhança. É incrível o corpo humano! Como é complexo, inteligente e tem o poder de criar coisas. A Bíblia personifica a criação para mostrar que ela está em constante diálogo e adoração ao Criador.
Quando alguém não conhece a Deus — como, por exemplo, indígenas que não tiveram contato com outras civilizações — eles costumam cultuar a natureza, pois sabem que ela é poderosa e lhes fornece tudo. Mesmo não conhecendo Deus de fato, eles constatam que existe algo superior que criou todas essas coisas.
Olhando para tudo o que foi feito, podemos perceber claramente que existe um Deus; não há desculpas para o ser humano. Ele pode ver Deus em tudo o que foi criado, inclusive em si próprio. Deus está falando o tempo todo; é só parar para observar e contemplar a Sua criação. Deus fala através das coisas criadas.
Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br
Deus fala com voz audível
Deus fala com voz audível
“Então o Senhor chamou Samuel. Samuel respondeu: “Estou aqui”. E correu até Eli e disse: “Estou aqui; o senhor me chamou? ” Eli, porém, disse: “Não o chamei; volte e deite-se”. Então, ele foi e se deitou.”
1 Samuel 3:4,5
Deus fala com voz audível, ou seja, pessoas puderam ouvir uma voz falando com elas. Não era uma voz que vinha de dentro, mas uma voz externa, perceptível aos ouvidos.
Temos alguns casos, e começo logo no princípio. Em Gênesis 3:8-10, vemos Deus falando com Adão após a queda. A partir dali, Deus fala com vários personagens bíblicos.
Podemos destacar alguns exemplos:
Deus falou com toda a nação de Israel. Eles puderam ouvir a voz dEle no monte Sinai. Deus proclamou os Dez Mandamentos, e o povo ficou profundamente temorizado, mas todos ouviram (Êxodo 19:19; 20:18-19).
Antes disso, Deus falou com Moisés no meio da sarça ardente. Moisés pôde ouvir claramente a voz do Senhor (Êxodo 3:2-6).
Deus também falou com Samuel quando ele ainda era menino. Chamou-o pelo nome e falou com ele; Samuel pôde ouvir a voz de Deus (1 Samuel 3:10).
No Novo Testamento também há eventos importantes. No batismo de Jesus, os que estavam ali puderam ouvir Deus falar:
“E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mateus 3:17).
Outro caso acontece no monte da transfiguração, onde Pedro, Tiago e João ouviram claramente a voz de Deus (Mateus 17:5-6).
Há ainda um episódio em Jerusalém que causou confusão. Muitos não entenderam; outros julgaram ser voz de anjo:
“Veio, pois, uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei.” (João 12:28-29).
Poderíamos mencionar outros episódios, como a conversão de Paulo, quando ele ouviu a voz do Senhor no caminho de Damasco (Atos 9:3-7).
A Bíblia registra diversos momentos em que Deus falou de forma audível. Mas a pergunta mais importante para nós hoje é: Ele fala assim nos dias atuais?
Sim, Ele pode tudo. Se quiser, Ele fala. Porém, hoje isso é raro. Deus fala de diversas formas, e a principal é por meio das Escrituras (2 Timóteo 3:16-17; Hebreus 1:1-2).
No passado, muitas dessas manifestações audíveis tinham propósitos específicos dentro do plano redentor. Por exemplo, o apóstolo Paulo ouviu a voz de Cristo para uma missão específica: levar o evangelho aos gentios (Atos 26:14-18).
Hoje, não há necessidade de nova revelação doutrinária, pois o essencial para nossa salvação e vida cristã já foi revelado nas Escrituras. A Bíblia é suficiente como regra de fé e prática.
Existem milhares de testemunhos modernos de pessoas que afirmam ter ouvido uma voz externa. No estudo desses casos, observa-se que:
A voz costuma ser curta e direta (ex: “Pare!”, “Vá ali!” ou o nome da pessoa).
Geralmente ocorre em situações de perigo iminente ou decisões que mudam o curso da vida.
A experiência é tão real que a pessoa costuma olhar ao redor procurando quem falou.
Acredito sinceramente que Deus falou com pessoas e ainda pode falar hoje, se julgar necessário. Mas precisamos ter muita cautela. Nosso cérebro é complexo, e situações de estresse extremo, traumas ou privação de sono podem gerar percepções auditivas. Não podemos ignorar isso.
Existe, porém, uma regra importante: se uma suposta voz audível disser algo que contradiz o que já está escrito na Bíblia, ela não pode ser considerada a voz de Deus (Gálatas 1:8).
Deus pode falar por voz audível hoje? Sim.
Ele costuma fazer isso com frequência? Não.
A maioria dos estudiosos entende que Deus normalmente fala ao coração e à consciência do homem, iluminando a mente por meio da Palavra. A voz audível continua sendo possível, mas não é o padrão. O padrão para a igreja é a Escritura.
Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br
Deus fala através de profecias
Deus fala através de profecias
”Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos.” Atos 2:17
Todos os crentes podem ser usados com o dom de profecia, mas a distribuição e o momento dependem exclusivamente da soberania do Espírito Santo.
É fundamental compreender que o dom de profecia é de natureza sobrenatural. Ele não provém da sabedoria humana, de talentos naturais ou da eloquência de quem fala, mas é um ‘carisma’ — um presente gratuito concedido pelo Espírito Santo. Por ser uma manifestação divina, ele opera além das capacidades intelectuais do crente, servindo como um canal direto de Deus para edificar e orientar a Sua Igreja. Reconhecer o caráter sobrenatural deste dom é atribuir a glória devidamente a Deus, o único doador de todo o dom perfeito.
O Dom de Profecia e a Autoridade das Escrituras
O dom de profecia continua atual e operante na Igreja, porém, é fundamental distinguir a atuação dos profetas do Antigo Testamento da manifestação do dom de profecia na era do Novo Testamento.
No Antigo Testamento, o profeta era alguém especificamente separado por Deus — o “chamado profeta” — com o objetivo de trazer mensagens diretas e revelações sobre planos futuros para o povo. Essas mensagens compuseram as Sagradas Escrituras que temos hoje. Com a conclusão do cânone bíblico, esse tipo de ministério de revelação doutrinária foi encerrado; as Escrituras são agora a nossa única e suficiente regra de fé e prática, contendo todo o plano de Deus para a salvação.
O que temos hoje, conforme a promessa do derramamento do Espírito sobre toda a carne, é o dom de profecia. Através dele, Deus concede aos crentes a capacidade de edificar, exortar e consolar a igreja local ou indivíduos. Esse dom se manifesta em orientações sobre a vida comum, planos pessoais e, de forma poderosa, através da própria pregação da Palavra. Toda manifestação profética atual deve, obrigatoriamente, ser julgada e estar em total conformidade com a Bíblia Sagrada.
A Natureza da Concessão: Propriedade ou Distribuição?
Outro ponto essencial é compreender que o crente não “detém” o dom de profecia como se fosse uma posse permanente ou uma habilidade controlada por sua própria vontade. De acordo com o ensino bíblico e doutrinário, os dons espirituais são concessões do Espírito Santo, que os distribui “a cada um particularmente, como quer” (1 Coríntios 12:11).
Isso significa que o cristão é um canal usado por Deus em momentos específicos. O dom de profecia é concedido conforme a necessidade de edificação da igreja ou de um indivíduo, sob a soberania divina. Não cabe ao portador do dom manifestá-lo quando deseja, mas sim estar em comunhão e prontidão para ser usado quando o Espírito Santo assim o determinar. Portanto, a glória de qualquer manifestação pertence exclusivamente a Deus, e não ao instrumento humano, reafirmando que a espiritualidade não se mede pela posse de dons, mas pela submissão à vontade do Senhor.
O Julgamento da Profecia: Pelo fato de o dom de profecia ser manifestado através de canais humanos, a base doutrinária estabelece que nenhuma profecia é superior à Palavra de Deus ou isenta de exame. Como ensina o apóstolo Paulo, “julguem os outros” (1 Coríntios 14:29). Isso significa que a igreja tem a responsabilidade e o dever de avaliar toda a mensagem profética à luz da Bíblia Sagrada.
O julgamento da profecia não é um ato de incredulidade, mas de fidelidade doutrinária. Uma mensagem profética autêntica deve, obrigatoriamente:
Estar em harmonia com as Escrituras: Se a profecia contradiz qualquer princípio bíblico, ela deve ser prontamente rejeitada.
Promover a edificação e a ordem: Deus não é Deus de confusão; portanto, o dom deve operar para o bem comum e dentro da decência e ordem.
Glorificar a Cristo: O Espírito Santo sempre aponta para Jesus. Se uma manifestação serve apenas para atrair atenção para o indivíduo ou para criar doutrinas estranhas, ela não provém da fonte divina.
Desta forma, a igreja protege-se contra o fanatismo e contra “ventos de doutrina”, mantendo o equilíbrio entre a liberdade do Espírito e a segurança da sã doutrina.
O dom de profecia no púlpito
É importante destacar que o dom de profecia se manifesta de forma poderosa através da pregação bíblica. Embora a pregação envolva estudo e preparação intelectual, o pregador pode, sob a ação do Espírito Santo, ser usado com o dom de profecia para trazer uma mensagem inspirada que vai além da letra escrita.
Nesse momento, a pregação deixa de ser apenas uma exposição teológica e torna-se uma voz viva de Deus para a igreja local. Pelo caráter sobrenatural desse dom, o Espírito Santo utiliza o pregador para revelar necessidades ocultas, trazer consolo específico ou exortar a comunidade em áreas que só o Senhor conhece. Assim, a pregação profética cumpre o propósito de Deus de falar diretamente ao coração do homem no tempo presente, mantendo sempre a Bíblia como o fundamento e a prova de toda a mensagem anunciada.
Precisamos entender
1. Não temos mais “Profetas”, e sim pessoas usadas com o “Dom de Profecia”
“Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João.” Lucas 16:16
2. As profecias devem ser julgadas
“Tratando-se de profetas, falem dois ou três, e os outros julguem cuidadosamente o que foi dito. 1 Coríntios 14:29
3. Qualquer um pode ser usado
“E, depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões.” Joel 2:28
4. Ninguém hoje é “Profeta”
“edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular” Efésios 2:20
5. O Dom é para Edificação, Exortação e Consolo (Não para Nova Doutrina).
“Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação.” 1 Coríntios 14:3
Como deve ser comportar a pessoa usada
1. Manter a Humildade e a Mansidão
O dom não é uma medalha de honra ou um sinal de que a pessoa é “mais santa” que os outros. É um “carisma” (presente gratuito).
Evite o orgulho espiritual. Lembre-se que você é apenas um instrumento (o canal) e não a fonte da mensagem. Se Deus decidiu falar, a glória é dEle.
Atitude: Esteja pronto para entregar a mensagem se houver oportunidade, mas também para calar se o momento não for oportuno.
2. Submeter-se à Ordem e Decência
Não interrompa o culto de forma desordenada. A Bíblia diz que “os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” (1 Coríntios 14:32). Isso significa que você tem controle sobre si mesmo e deve respeitar a liturgia e a liderança da igreja.
Discrição: Muitas vezes, ser “usado” não significa gritar ou interromper; pode ser uma palavra entregue em particular ao pastor ou à pessoa interessada, se assim for mais edificante.
3. Estar Aberto ao Julgamento
Como estabelecemos nos pontos anteriores, toda profecia deve ser julgada.
Não se sinta ofendido se a liderança da igreja ou os irmãos examinarem o que você disse à luz da Bíblia. Pelo contrário, você deve ser o primeiro a querer que sua mensagem seja confirmada pelas Escrituras.
Se o julgamento for de que a mensagem não condiz com a Bíblia, aceite com humildade e use isso como aprendizado para discernir melhor a voz do Espírito no futuro.
4. Buscar a Santificação Contínua
Para ser um canal limpo, o “instrumento” precisa estar em comunhão.
Sinta a responsabilidade de manter uma vida de oração, jejum e leitura da Palavra. O dom de profecia flui melhor em alguém que conhece profundamente a voz de Deus através das Escrituras.
Quanto mais você conhece a Bíblia, menos chances tem de misturar seus próprios pensamentos com a mensagem de Deus.
5. Focar no Objetivo: Edificar, Exortar e Consolar
Sempre que sentir esse impulso espiritual, pergunte-se: “Isso vai ajudar a igreja a crescer? Vai dar ânimo a alguém? Vai consolar um coração sofrido?”.
Se a mensagem for para gerar confusão, medo infundado ou para exaltar você mesmo, pare e reavalie. O Espírito Santo sempre trabalha para a união e o crescimento do corpo de Cristo.
Resumo da Conduta:
O comportamento ideal é o de um servo atento. Assim como um garçom entrega a comida sem querer ser o dono do banquete, o crente usado no dom entrega a mensagem e se retira, deixando que a Palavra de Deus faça o trabalho no coração de quem ouviu.
Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br
Deus fala através de anjos
Deus fala através de anjos
A existência dos anjos não pode ser ignorada. Eles são seres espirituais criados por Deus, dotados de personalidade.
A palavra grega angelos e a hebraica malak significam literalmente “mensageiro”.
No Antigo Testamento: Eles aparecem para entregar leis, anunciar juízos ou orientar patriarcas e profetas.
No Novo Testamento: Anunciam o nascimento de Cristo, auxiliam Jesus no deserto e libertam apóstolos da prisão (Atos 5:19).
Os anjos não trazem “novas doutrinas” ou verdades que não estejam na Bíblia. Qualquer mensagem angélica que contradiga a Escritura é descartada.
“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” Gálatas 1:8
São servos de Deus para cumprir determinadas missões
Hebreus 1:14: “Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação?”
O Auxílio em Momentos de Crise e Prisão
Atos 5:19-20: Um anjo abre as portas da prisão para os apóstolos e lhes dá uma ordem direta: “Ide, apresentai-vos no templo e dizei ao povo todas as palavras desta Vida”.
Atos 12:7-11: A libertação de Pedro. O anjo não apenas o solta, mas dá instruções passo a passo (“Cinge-te e calça as tuas sandálias… Lança sobre ti a tua capa e segue-me”).
Direção Missionária e Evangelística
Atos 10:3-6: Um anjo aparece a Cornélio (um gentio) e dá instruções detalhadas de onde encontrar Pedro, citando inclusive o nome do anfitrião e a localização da casa.
Atos 8:26: “Um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te e vai para o lado do sul, pelo caminho que desce de Jerusalém a Gaza…”
Conforto e Revelação do Futuro
Atos 27:23-24: Durante uma tempestade violenta no mar, Paulo encoraja os marinheiros dizendo: “Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo, dizendo: Paulo, não temas…”
Apocalipse 1:1: O livro inteiro é descrito como uma revelação que Deus deu a Jesus, e Jesus “pelo seu anjo a enviou e notificou a João”.
Anjos podem ser usados para nos proteger, porém, não acreditamos no “Anjo da Guarda”, ou seja, que cada pessoa tem um anjo. Os anjos trabalham a serviço de Deus e quando necessário.
Existe um exército de anjos à disposição da Igreja e dos fiéis, mas não necessariamente um “anjo fixo” para cada pessoa.
Salmo 91:11: “Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos”.
Quem dá a ordem é Deus e não nós. É muito perigoso quando focamos em anjos, culto com presença de anjos o tempo todo, tirando a Glória do Espírito Santo. Anjos existem, pode se apresentar em qualquer lugar, inclusive em cultos, porém, eles não são o foco.
Colossenses 2:18 “Ninguém vos domine a seu bel-prazer pretendendo fomento de humildade e culto dos anjos…”
Existem, ainda hoje, diversos relatos de pessoas que afirmam ter visto anjos. Isso pode acontecer, embora seja algo raro. Deus pode usar anjos tanto para falar conosco quanto para nos proteger, assim como vemos no Antigo Testamento.
No entanto, precisamos ter cuidado: não podemos adorá-los, pois são servos de Deus, assim como nós. A Bíblia é clara quanto a isso.
Também não devemos viver pedindo que Deus envie anjos, como se esse fosse o principal meio de ação divina. Deus age da forma que Ele quiser, no tempo e da maneira que considerar melhor.
Não vemos na Bíblia relatos de alguém pedindo a Deus que enviasse um anjo para realizar algum serviço específico. As pessoas oravam a Deus, e Ele, por sua própria iniciativa, fazia o que era melhor em cada situação.
Hoje, muitos acabam cometendo um erro ao tentar “determinar” ou “ordenar” que Deus envie anjos, como se pudessem dirigir a forma como Ele deve agir. Isso não nos cabe.
Devemos entender que Deus é soberano, e nós não damos ordens a Ele. Nosso papel é orar, confiar e nos submeter à Sua vontade.
Os anjos fazem parte do agir de Deus, mas não substituem o nosso relacionamento com Ele.
Mais importante do que tentar entender como Deus vai agir, é confiar que Ele sabe o que está fazendo.
Talvez você nunca veja um anjo…
Mas todos os dias você pode ouvir a voz de Deus através da Sua Palavra.
Talvez você nunca tenha uma experiência sobrenatural…
Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br
Conclusão
Ao longo dessa série, aprendemos que Deus não é um Deus distante, silencioso ou indiferente. Ele fala.
Falou no passado, continua falando hoje, e continuará falando — porque deseja se relacionar conosco.
Mas também aprendemos algo fundamental:
o problema nunca foi Deus não falar…
o problema sempre foi se estamos ouvindo.
Vimos que Deus fala através da Sua Palavra, pelo Espírito Santo, por circunstâncias e, em alguns momentos específicos, até por meios sobrenaturais como anjos.
Mas em tudo isso, uma verdade permanece:
Não são os meios que definem a nossa fé — é o nosso relacionamento com Deus.
Não vivemos correndo atrás de experiências.
Não buscamos manifestações.
Não colocamos nossa confiança em sinais.
Nós buscamos a Deus.
Porque quando buscamos a Deus de verdade:
Aprendemos a discernir Sua voz, crescemos em maturidade espiritual e deixamos de depender de experiências para viver pela fé
Essa série não termina aqui.
Ela continua na sua rotina…
na sua vida de oração…
na forma como você lê a Palavra…
e nas decisões que você toma a partir de agora.
Se você tem sede de ouvir a voz de Deus, a melhor forma é abrindo a sua Bíblia.
Claudio H. C. Duarte – www.sigaele.com.br
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